Oração à Nossa Senhora da Conceição


Oração à Nossa Senhora da Conceição
(8 de dezembro)

Santíssima Virgem, eu creio e confesso vossa santa e imaculada Conceição pura e sem mancha. Ó puríssima Virgem Maria, por vossa Conceição imaculada e gloriosa prerrogativa de Mãe de Deus alcançai-me de vosso amado filho e humildade, a caridade, a obediência, a castidade, a santa pureza do coração, de corpo e alma, a perseverança na prática do bem, uma santa vida e uma boa morte, Amém.

Oração à Nossa Senhora da Consolação



Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria da Consolação, do poder ilimitado que vos deu nosso divino Filho, Jesus, sobre o seu Coração adorável. Cheio de confiança na onipotência de vossa intercessão, venho implorar o vosso auxílio. Tendes em vossas mãos a fonte de todas as graças que brotam do Coração amabilíssimo de Jesus Cristo; abrí-a em meu favor; concedendo-me a graça que ardentemente vos peço. Não quero ser o único por vós rejeitado; sois minha Mãe; sois a soberana do Coração de vosso divino Filho. Atendei, pois, benignamente a minha súplica; volvei sobre mim vossos olhos misericordiosos e alcançai-me a graça... (fazer o pedido) que agora fervorosamente vos imploro.

Oração à Nossa Senhora da Defesa



Oh! Nossa Senhora da Defesa, virgem poderosa, recorro a vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu seguro no vosso manto santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo o mal.

Mãe Santíssima, Refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder para esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus.

Curvado sobre o peso dos meus pecados venho pedir a vossa proteção hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso filho, nosso Senhor Jesus Cristo eu possa depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Amém.

Oração à Nossa Senhora das Dores


Oração à Nossa Senhora das Dores

(15 de setembro)


Ó santa Mãe, por favor,
faze que as chagas do amor
em mim se venham gravar.

O que Jesus padeceu
venha sofrer também eu,
causa de tanto penar.

Ó dá-me, enquanto viver,
com Jesus Cristo sofrer,
contigo sempre chorar!

Quero ficar junto à cruz,
velar contigo a Jesus
e o teu pranto enxugar.

Virgem mãe tão santa e pura,
vendo eu a tua amargura,
possa contigo chorar.

Que do Cristo eu traga a morte,
sua paixão me conforte,
sua cruz possa abraçar!

Em sangue as chagas me lavem
e no meu peito se gravem,
para não mais se apagar.

No julgamento consegue
que às chamas não seja entregue
quem soube em ti se abrigar.

Que a santa cruz me proteja,
que eu vença a dura peleja,
possa do mal triunfar!

Vindo, ó Jesus, minha hora,
por essas dores de agora,
no céu mereça um lugar.


    Oremos:

Ó Mãe das Dores. Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida.

Mãe pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida a eternidade.

E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema e assim direi: Jesus e Maria, entrego-Vos a minha alma.

Amém. 

ATO DE DESAGRAVO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA


ORAÇÕES À VIRGEM MARIA

ATO DE DESAGRAVO
AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
Ó Coração Doloroso e Imaculado de Maria, transpassado de dor pelas injúrias com que os pecadores ultrajam vosso santo nome e vossas excelsas prerrogativas; eis prostrado aos vossos pés vosso indigno filho, que, oprimido pelo peso das próprias culpas, vem arrependido com ânimo de reparar as injúrias que, à maneira de penetrantes setas dirigem contra vós os homens ousados e perversos.
Desejo reparar com esse ato de amor e submissão que faço perante o vosso coração amantíssimo, todas as blasfêmias que proferem contra o vosso Augusto nome, todas as ofensas que fazem às vossas excelsas virtudes e todas as ingratidões com que os homens correspondem ao vosso maternal amor e inesgotável misericórdia.
Aceitai, ó Coração Imaculado, esta demonstração de meu fiel carinho e justo reconhecimento, com o firme propósito que faço de ser-vos fiel todos os dias de minha vida, de defender vossa honra quando a veja ultrajada e de propagar com entusiasmo vosso culto e vossas glórias.
(rezar 3 Ave Marias em honra ao poder, sabedoria e misericórdia do puríssimo Coração de Maria, desprezado pelos homens)

Visões do Inferno - Segundo Santos da Igreja


     No mundo cada vez mas distante de Deus. Menos gente acredita na existência do inferno, é necessário saber que alem de um dogma de fé. Esta realidade foi relatada por muitos santos da Igreja que testemunharão visões deste lugar tenebroso. que Deus na sua infinita misericórdia assim os revelou para que, os bons tratem de se empenharem e permanecerem na sua busca por Deus. e os pecadores tratem de se emendarem e buscarem se reconciliar com Deus enquanto ainda  à tempo.  

     A graça de Deus nos convida todo o instante das nossa vidas  a buscar o céu, a buscar a Deus, pois Deus é a própria felicidade e a essência de toda ela, Deus que é  a própria bondade o gozo e a  alegria, Deus é a própria vida e sem ele, só o que existe é a morte, que é a separação da alma criada para amar separada agora do próprio amor. não perca mas tempo venha amar a Deus a qual tu foi criado. não busque felicidade a onde tu não pode encontrar, todas as coisas que Deus criou são boas, e devemos amalás assim como aos santos do Altíssimo, pois  a própria bondade as criou. Só não  podemos amar as coisas criadas mas do que a Deus. Deus é nosso fim  ultimo, devemos amar a Deus entre todas as coisas e o próximo como a nós mesmo, pois o proposito de toda alma existir e amar. se cairés no inferno foi por ter rejeitado o céu, porque escolhesse andar nos conselhos do maligno tornando-se semelhante a ele, merecendo assim o mesmo fim o fogo eterno. veja abaixo nos relatos dos santos o porque e como se encontra as almas condenadas. 


Algumas das visões de santos sobre os tormentos no inferno.

Embora que as revelações  particulares  a Igreja não exige que ninguém creia, como no caso da  revelação publica das escrituras sagradas a qual  todos nós devemos crê firmemente. As revelações particulares divinamente inspiradas, seja as profecias e revelações aos santos, não são algo a mais  acrescentar aos evangelhos, mas serve para nos fazer entender melhor o que já foi revelado.





Se o Inferno Existe


O que é


Como poderemos evitá-lo


Monsenhor de Ségur
Livro de 1905 - 147 págs



  •      Este testemunho  abaixo embora não se trate de uma visão e sim de um sonho de um Padre, é importante contemplá-lo pela piedade que ela possa  provocar a conscientizar sobre a gravidade de ofender a Deus.
  • OS TRÊS SONHOS (Céu, Purgatório e Inferno) 

É preciso, pois, meditar no inferno enquanto é tempo


Se Existe
O que é
Como poderemos evitá-lo
Monsenhor de Ségur
Livro de 1905 - 147 págs


INDÍCE

Prólogo
Se Existe Inferno
Há inferno: tem sido esta a crença de todos os povos em todos os tempos
Há inferno: o inferno não foi nem podia ser inventado  
Há inferno: Deus revelou-nos a existência dele
Se é certo que existe inferno, como é que nunca ninguém voltou de lá
O dr Raymundo Diocres
O religioso de S. Antonino
A meretriz de Nápoles
O amigo do conde Orloff
A senhora do bracelete de ouro
A prostituta de Roma
Porque é que tanta gente se esforça em negar a existência do inferno
Embora os mortos ressuscitassem muitas vezes, o ímpio não acreditaria no inferno
O que é o Inferno
Das ideias falsas e supersticiosas acerca do inferno
O inferno consiste, em segundo lugar, na grande pena de condenação
O inferno consiste em segundo lugar, na pena horrível do fogo
O fogo do inferno é sobrenatural e incompreensível
O P. Bussy e o mancebo libertino
Os três filhos de um velho usurário
Meus filhos, evitai o inferno!
O fogo do inferno é um fogo corporal
O fogo do inferno, ainda que é corporal, atormenta as almas
O capitão ajudante-mór de Saint-Cyr
A mão queimada de Foligno
O fogo do inferno é tenebroso (visão de Santa Tereza)
De outras penas muito grandes, que acompanham o sombrio fogo do inferno
Da Eternidade das Penas do Inferno
A eternidade das penas do inferno é uma verdade de férevelada
O inferno é necessariamente eterno, atenta a natureza da eternidade
Segunda razão da eternidade das penas: a falta de graça
Terceira razão da eternidade das penas: a perversidade da vontade dos condenados
Se é verdade que Deus é injusto punindo com penas eternas, faltas de um momento
Se sucede o mesmo com os pecados de fragilidade
Quais são os que trilham o caminho do inferno
Se podemos estar certos de que se condenou alguém que vimos morrer mal
Conclusões práticas
Sair imediatamente e a todo o custo, do estado de pecado mortal       
Evitar cuidadosamente as ocasiões perigosas e as ilusões
Assegurar a sua salvação eterna com uma vida seriamente cristã

~ * ~

BREVE
DIRIGIDO POR
Sua Santidade o Papa Pio IX ao Autor
__________
PIO IX, PAPA
Amado Filho, Saúde e Benção Apostólica. 
Nós vos felicitamos de todo o coração por não deixardes de seguir fielmente e com tanto proveito a vossa vocação de arauto do Evangelho. As vossas publicações são bem depressa espalhadas entre o povo por meio de milhares de exemplares.
Se os vossos escritos são tão procurados, é porque agradam; e se não tivessem o dom de atrair os espíritos, de penetrar até ao íntimo dos corações e de produzir neles os seus bené­ficos efeitos, não poderiam agradar.
Aproveitai, pois, a graça que Deus vos con­cedeu, continuai a trabalhar com ardor e a cum­prir vosso ministério de evangelização.
Quanto a Nós, vos prometemos fia parte de Deus uma grandiosa proteção para poderdes tra­zer ao caminho da salvação um número de almas cada vez mais considerável, e granjeardes deste modo uma magnífica coroa de glória.
Nesta expectativa, recebei, como penhor da proteção divina e dos outros dons do Senhor, a Benção Apostólica, que vos concedemos, muito amado Filho, com todo o afeto do Nosso cora­ção, para vos testemunhar a Nossa paternal benevolência.
Dado em Roma, junto de S. Pedro, aos 2 de Março de 1876, trigésimo ano do Nosso Ponti­ficado.
Pio IX, Papa

~ * ~



Era em 1837. Dois alferes, ainda moços, que, há pouco, tinham saído de Saint-Cyr, visitavam os monumentos e raridades de Pa­ris. Entraram na igreja da Assunção, junto das Tulherias, e estacaram a observar os qua­dros, as pinturas e todas as obras artísticas daquele belo edifício. Nem sequer pensa­vam em orar.
Um deles viu ao pé de um confessionário um padre, ainda novo, com sobrepeliz, que adorava o SS. Sacramento.
— Olha para este padre, disse ao seu camarada; sem dúvida es­pera por alguém.
— Talvez por ti, respondeu o outro rindo-se.
— Por mim? Para que?
— Quem sabe? Talvez para te confessar.
— Para me confessar?! Pois bem, apostas que sou ca­paz de lá ir?
— Tu, ires confessar-te?! Ora! E pôs-se a rir, sacudindo os ombros.
— Apos­tas? repetiu o novo oficial, com um modo zombeteiro e decidido. Apostemos um bom jantar, acompanhado de uma garrafa de vinho de Champagne.
— Aceito a aposta do jantar e do vinho. Desafio-te a ires confessar-te.
Dito isto, o outro dirigiu-se ao padre e falou-lhe ao ouvido; este levantou-se, entrou no confessionário, enquanto o fingido penitente lançava para o seu camarada um olhar de vencedor, e ajoelhava como para confessar-se.
«Tem graça!», murmurou o outro; e assentou-se, para ver em que viria aquilo a parar. Esperou cinco minutos, dez minutos, um quarto de hora. «O que é que ele faz?, perguntava a si mesmo, com uma curiosidade quase impaciente. O que poderá ele ter dito todo este tempo?»
Enfim, o confessionário abriu-se, o padre saiu com o semblante animado e grave, e, depois de ter sondado o jovem militar, entrou na sacristia. O oficial levantou-se também, vermelho como a crista de um galo, puxando pelo bigode com ar um pouco dissimulado, e deu sinal ao seu amigo que o seguisse, afim de saírem da igreja.
«Que é isso?, disse este. O que foi que te aconteceu? Sabes que te demoraste quase vinte minutos com o padre? Palavra de honra, julguei por um momento que ias confessar-te deveras. Com efeito, ganhaste bem o teu jantar. Queres que seja esta tarde?
—Não, respondeu o outro com mau humor; hoje não. Qualquer dia nos veremos. Tenho que fazer e preciso de me retirar de ti.»
Apertando a mão de seu companheiro, afas­tou-se precipitadamente, de má catadura.
O que se teria passado, entre o alferes e o confessor? Ei-lo: Apenas o padre abriu a portinha do confessionário, conheceu, pelas maneiras do jovem oficial, que este ia ali, não para confessar-se, mas para fazer zombaria. Tinha ele ousado dizer-lhe, concluin­do não sei que frase: «A religião! con­fissão! Eu zombo de tudo isso!»
O padre era homem atilado. «Perdão, meu caro senhor, disse interrompendo-o com brandura; vejo que o que fazeis não é a sério. Deixemos de parte a confissão e con­versemos alguns instantes. Gosto muito dos militares, e, segundo me parece, vós sois um jovem bom e amável. Dizei-me: qual é a vossa graduação?» O oficial começava a conhecer que tinha cometido uma sandice. Contente por achar um meio de sair deste estado, respondeu cortesmente:
«— Sou apenas alferes. Saí ainda há pouco de Saint-Cyr.
— Alferes? E ficareis muito tempo alferes?
—Eu sei lá. Dois anos, ou três anos, quatro anos talvez.
—E depois?
—Depois passarei a tenente.
— E depois?
— Depois serei capitão.
—Capitão? em que idade se pode ser capitão?
— Se tiver fortuna, respondeu o oficial sorrindo, posso ser capitão aos vinte e oito ou vinte e nove anos.
— E depois?
— Oh! depois é difícil. Fica-se muito tempo capitão. Depois passa-se a major, em seguida a tenente-coronel, e depois a coronel.
— Muito bem! Aí estais vós coronel aos quarenta ou quarenta e dois anos de idade. E depois?
— Depois serei general de brigada e depois general de divisão.
— E depois?
— Depois não resta senão o grau de marechal; mas as minhas aspirações não chegam a tanto.
— Embora; mas não chegareis a casar-vos?
— Talvez chegue, talvez; mas será só quando for oficial superior.
— Pois bem! Então sereis casado, oficial superior, general de brigada, general de divisão o talvez até marechal de França, quem sabe? E depois, senhor?, acrescentou o padre com autoridade.
— Depois? depois? replicou o oficial, quase confuso. Oh! crede; não sei o que sucederá depois.
— Vede como isto é singular, disse então o sacerdote com um acento cada vez mais grave. Sabeis o que se passará até então e não sabeis o que depois sucederá. Pois bem, eu o sei e vou dizê-lo. Depois, senhor, morrereis. Apenas morrerdes, aparecereis diante de Deus para serdes julgado. Se continuardes a viver como até agora, sereis condenado e ireis arder eternamente no inferno. Eis-aqui o que depois sucederá!»
O mancebo, aterrado e enfastiado deste remate, parecia querer esquivar-se. «Um instante mais, senhor, continuou o padre. Tenho ainda algumas palavras a dizer-vos. Sois honrado, não é verdade? Pois bem, eu também o sou. Viestes aqui zombar de mim; deveis por isso dar-me uma reparação. Peço-a, exijo-a em nome da honra. Será além disso muito simples. Haveis de me afiançar que, por espaço de oito dias, de noite, antes de vos deitardes, posto de joelhos, direis em voz alta: «Um dia hei de morrer, mas rio-me disso. Depois da minha morte serei julgado, mas rio-me disso. Depois do meu julgamento serei condenado, mas rio-mo disso. Ireis arder eternamente no inferno, mas rio-me disso.» Direis isto; mas dais-me a vossa palavra de honra de que não haveis de faltar, não é verdade?»
O alferes, cada vez mais enfadado, querendo a todo o custo sair daquele embaraço, prometeu tudo e em seguida o bom padre despediu-o com bondade, acrescentando: «Não preciso, meu caro amigo, dizer que vos perdoo de todo o meu coração. Se tiverdes necessidade de mim, aqui me achareis sempre no meu posto. Não vos esqueçais da palavra dada.» Depois separaram-se, como vimos.
O novo oficial jantou só. Via-se que estava vexado. À noite, antes de se deitar, hesitou um pouco; mas tinha dado sua palavra de honra; não faltou ao prometido, «Morrerei, serei julgado; irei talvez para o inferno...» Não teve animo de acrescentar: «rio-me disso.»
Assim decorreram alguns dias. Sua penitência lembrava-lhe continuamente e parecia zunir-lhe aos ouvidos. A sua índole, como a das noventa e novo centésimas partes dos mancebos, tinha mais de dissipado que de mau. O oitavo dia não passou sem que o oficial voltasse, então desacompanhado, à igreja da Assunção. Confessou-se com contrição sincera, e saiu do confessionário com o rosto banhado de lágrimas e a alegria no coração.
Segundo alguém me certificou, ele foi depois um digno e fervoroso cristão. Foi a meditação do inferno que, com a graça de Deus, operou aquela mudança. Ora, o fruto que ela produziu no espirito deste novo oficial, porque o não produzirá no vosso, caro leitor?
É preciso, pois, meditar no inferno enquanto é tempo.
Cumpre pensar no inferno. É uma questão pessoal a sua existência, e, confessai-o, é profundamente temível. Aquela questão é proposta a cada um de nós; e, bom ou mau grado nosso, necessita de uma solução positiva.
Vamos pois, se quiserdes, examinar, breve mas rigorosamente, duas coisas: 1ª. se existe inferno; 2ª. o que é o inferno. Apelo aqui unicamente para a vossa fé e probidade.

ORAÇÃO DE SANTA GERTRUDES pelas almas do Purgatório

Veja: Manual das Indulgências.


ORAÇÃO DE SANTA GERTRUDES
pelas almas do Purgatório.
(Jesus prometeu à Santa Gertrudes
que salvaria  (1000) mil almas do purgatório cada vez,
que cada pessoa rezar com fervor esta Oração)

              Eterno Pai, Ofereço-Vos o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo; por todas as Santas almas do purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, pelos pecadores de toda a Igreja, pelos de minha casa e de meus vizinhos. Amém.


Santa Gertrudes Filha dileta do Coração de Jesus


Tão ligada ao sobrenatural, mais parecia um anjo do Céu que uma criatura terrena. Viveu alheia às atrações mundanas e foi tida como “sustentáculo da religião”
Plinio Maria Solimeo
Pouca coisa se sabe da vida de Santa Gertrudes. Os cinco livros de suas revelações nos oferecem poucos dados sobre sua própria vida. Sabemos que nasceu pelo ano de 1256. Seus pais a colocaram como aluna das beneditinas de Rodesdorf quando tinha apenas cinco anos.
Era priora desse mosteiro outra Gertrudes, de Hackeborn. Muito piedosa e culta, esta priora, vendo a estupenda inteligência de sua homônima, incentivou-a muito não apenas na observância monástica, mas também nas atividades intelectuais que Santa Lioba e suas freiras anglo-saxãs haviam transmitido às suas fundações na Germânia.
A pequena Gertrudes encantava a todos. “Nessa alma, Deus reuniu o brilho e o frescor das mais belas flores à candura da inocência, de maneira que encantava todos os olhares como atraía todos os corações”, diz sua biógrafa e contemporânea1.
A educação de Gertrudes foi confiada à irmã da priora, Matilde, muito adiantada na via mística e na santidade. Esta procurava incutir nas almas de suas alunas o fogo do amor de Deus que devorava seu coração. E encontrou em Gertrudes um campo propício para isso. Assim,“conservando a pureza de coração durante os anos de sua infância e adolescência, e entregando-se com ardor aos estudos e artes liberais, [Gertrudes] foi preservada pelo Pai das misericórdias de todas as frivolidades que, com frequência, arrastam a mocidade”2.
Na conversão, recebe os estigmas de Cristo
Santa Gertrudes
Entretanto, em seu afã de passar das línguas para a retórica, e desta para a filosofia, ela diminuiu um tanto seu primitivo fervor. Foi quando, aos 26 anos de idade, depois de um mês de terrível provação, Nosso Senhor apareceu-lhe e fez-lhe compreender sua falta: “Provaste a terra com meus inimigos e sugaste algumas gotas de mel entre os espinhos. Volta a mim, e te inebriarei na torrente de meu divino amor”3. Explica a biógrafa: “Então Gertrudes compreendeu que tinha estado longe de Deus, em região desconhecida, quando, aplicando-se até esse dia aos estudos mundanos, descuidara de lançar seu olhar para a luz da ciência espiritual e, devido a um apego muito forte aos encantos da sabedoria humana, descuidara de lançar seu olhar para a luz da ciência espiritual”4. Nessa visão foram-lhe impressas, não de modo visível externamente, os sagrados estigmas de Cristo Senhor Nosso.
Após tais acontecimentos, que ela chama de “sua conversão”, entregou-se com ardor ao estudo da teologia escolástica e mística, da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, sobretudo de Santo Agostinho, São Gregório Magno, São Bernardo e Hugo de São Vítor.
Santa Matilde, que também era favorecida com aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo, aconselhava Santa Gertrudes em suas dúvidas
No mosteiro ela não exercia outra função senão a de irmã-substituta da irmã-cantora, Santa Matilde. Apesar de sempre doente e lutando tenazmente contra suas paixões, atendia às inúmeras pessoas que a vinham consultar, “com citações dos livros sagrados empregadas tão a propósito, que não permitiam objeções”5. Para esclarecer seus consulentes escreveu em língua vernácula (as outras obras, escreveu-as em latim) alguns tratados, nos quais explicou passagens obscuras da Sagrada Escritura e transcreveu as mais belas sentenças dos Padres da Igreja. Infelizmente essas obras se perderam.
Sua biógrafa, que era uma de suas ardentes condiscípulas, afirma também que Gertrudes “era fortíssimo apoio da Religião, defensora tão zelosa da justiça e da verdade, que seria possível aplicar-lhe o que se diz do sumo sacerdote Simão no mesmo livro da Sabedoria: ‘Sustentou a casa durante sua vida’, isto é, foi o sustentáculo da Religião; ‘e em seus dias fortificou o templo’, no sentido de que, por seus exemplos e conselhos, fortificou o templo espiritual da devoção e excitou nas almas um maior fervor”6.
Pureza, humildade, bondade, fidelidade, caridade
Uma das obras da santa
Num ano em que o frio ameaçava os homens, animais e colheitas, durante a Missa Santa Gertrudes implorava a Deus que desse remédio a esses males. E teve a seguinte resposta: “Filha, hás de saber que todas tuas orações são ouvidas”. Ao que ela replicou: “Senhor, dai-me a prova desta bondade fazendo com que cessem os rigores do frio”. Ao sair da igreja, a santa notou que os caminhos estavam inundados pela água produzida pela neve derretida. O tempo favorável continuou, e começou mais cedo a primavera7.
Santa Gertrudes procurava esclarecer-se sobre suas visões, especialmente com Santa Matilde, que também era favorecida com aparições de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sobre as duas, tendo uma alma santa do mosteiro perguntado a Nosso Senhor “por que exaltava Gertrudes acima de todas e parecia não reparar em Matilde, Ele respondeu: ‘Eu faço grandes coisas nesta, mas as que faço e ainda farei naquela são bem maiores’”. E explicou o porquê dessa predileção: “Um amor todo gratuito me prende a ela, e é este mesmo amor que, por um dom especial, dispôs e conserva agora em sua alma cinco virtudes, em que me deleito: uma verdadeira pureza, pela influência contínua de minha graça; uma verdadeira humildade, pela abundância de meus dons, pois, quanto mais realizo grandes coisas nela, mais ela mergulha nas profundidades de sua indignidade pelo conhecimento de sua fragilidade; uma verdadeira bondade que a leva a desejar a salvação de todos os homens; uma verdadeira fidelidade, pela qual todos os seus bens me são oferecidos pela salvação do mundo; enfim, uma verdadeira caridade que a faz amar-me com fervor, com todo seu coração, toda sua alma e todas suas forças, e ao próximo como a si mesma por minha causa”8.
Devoção ao Sagrado Coração de Jesus
Uma das inúmeras aparições de Nosso Senhor à santa, nas quais já preludia a devoção ao Sagrado Coração de Jesus
A Eucaristia era o centro da piedade de Gertrudes, que oferecia a Nosso Senhor todos seus atos e orações antes da comunhão, como preparação para acercar-se mais dignamente da Sagrada Mesa; e todos os que se seguiam à comunhão, como outros tantos atos de ação de graças pelo excelso benefício.
“Diz-se que Santa Gertrudes foi a santa da santa humanidade de Cristo, assim como Santa Catarina de Gênova o foi da divindade. Diz-se igualmente que Santa Gertrudes ensinou de maneira admirável a teologia da Encarnação, que foi a teóloga do Sagrado Coração, e que, se não foi escolhida para ser a apóstola do Sagrado Coração, foi ao mesmo tempo a amante radiosa, a poetisa delicada e a profetisa dessa devoção. Encarnação, misericórdia de Jesus e intimidade confiante com Ele, Sagrado Coração, tal é, com efeito, o domínio de Santa Gertrudes. A isso convém acrescentar a Eucaristia: poucos levaram avante a comunhão freqüente tanto quanto ela, e com um sentido tão justo das condições requeridas”9.
Algumas das revelações de Nosso Senhor a Santa Gertrudes parecem preludiar as que faria quatro séculos depois a Santa Margarida Maria Alacocque sobre seu Sagrado Coração. Apresentou-lhe um dia, por exemplo, seu divino Coração sob a forma de um turíbulo de ouro, do qual subiam ao Pai Celeste tantas colunas de perfumado incenso quantas são as classes de homens pelas quais Ele deu a vida.
Santa Gertrudes assim fala de graças recebidas desse divino Coração: “Além desses favores, me admitistes ainda à incomparável familiaridade de vossa ternura, oferecendo-me a arca nobilíssima de vossa divindade, quer dizer, vosso Coração Sagrado, para que nele me deleite. Vós o destes a mim gratuitamente ou o trocastes pelo meu, como prova ainda mais evidente de vossa terna intimidade. Por esse Coração divino conheci vossos secretos juízos. Por ele me destes tão numerosos e doces testemunhos de vosso amor, que se não conhecesse vossa inefável condescendência, eu ficaria surpreendida ao ver-vos prodigalizá-los até mesmo à vossa amada Mãe, se bem que Ela seja a mais excelente criatura e reine convosco no Céu”10.
Santa Gertrudes havia escrito uma preparação para a morte, para proveito dos fiéis. Consistia em um retiro de cinco dias, o primeiro dos quais consagrado a considerar a última enfermidade; o segundo, a confissão; o terceiro, a unção dos enfermos; o quarto, a comunhão; e o quinto a dispor-se para a morte. Certamente ela se preparou desse modo para seu falecimento. Segundo a tradição, este deu-se pelo ano 1302 ou 1303, durante um de seus inumeráveis êxtases, provavelmente no dia 15 de novembro.
Santa Teresa de Ávila e São Francisco de Sales promoveram muito o culto a essa santa extraordinária, mas só em 1739 ele foi estendido à Igreja Universal11.