Os remédios (reais) de Santo Tomás de Aquino contra a dor e a tristeza

 

THOMAS AQUINAS


Você já ouviu a frase segundo a qual Santo Tomás de Aquino recomendaria um bom sono, um banho e uma taça de vinho para espantar a tristeza? Saiba o que realmente está por trás dessa afirmação

A navegar pela internet, você já deve ter-se deparado com uma frase bastante reconfortante atribuída a Santo Tomás de Aquino. Ela diz o seguinte: “a tristeza pode ser aliviada por um bom sono, um banho e uma taça de vinho”.

Isso sim é uma bela combinação! Uma taça de vinho antes ou depois de um bom banho pode ajudar a maioria de nós a dormir melhor — pergunte a qualquer um de seus amigos mediterrâneos em caso de dúvida. No entanto (e desculpe decepcionar) não é isso que Aquino disse.  

Tomás de Aquino discute as curas para a dor na Segunda Parte da Summa Theologica, mais especificamente na questão 38 (Dos remédios da dor ou tristeza). Porém, enquanto o sono e os banhos são de fato recomendados, o vinho não aparece na lista.

De maneira tipicamente escolástica, Tomás de Aquino procede fazendo perguntas e levantando objeções a algumas respostas possíveis. Na maioria das vezes, essas objeções vêm de textos aristotélicos ou agostinianos. Para facilitar a leitura (e, portanto, o processo de pensamento), a questão é subdividida em cinco artigos concisos, porém abrangentes, que abordam os aspectos mais relevantes do problema em questão. Tomás de Aquino divide a Questão 38 da seguinte forma:

1.- se o prazer mitiga a dor ou a tristeza;

2.- se o pranto mitiga tristeza;

3.- se o amigo que se compadece conosco mitiga a tristeza;

4.- se a contemplação da verdade mitiga a dor;

5.- se o sono e o banho mitigam a tristeza.

Enquanto Tomás de Aquino escreveu de forma clara, concisa e diretamente ao ponto, a filosofia escolástica não é necessariamente sempre citável. Estes são processos de pensamento silogísticos minuciosos, muitas vezes meticulosos, que exigem paciência, conhecimento e atenção. Você pode ler a pergunta inteira aqui, mas se você não quiser filosofar, aqui está um resumo (bastante incompleto).  

1.- Todo prazer traz um certo tipo de alívio dos tempos difíceis. Nem todo prazer será necessariamente o melhor remédio, mas alivia a tristeza. 

2.- O choro é remédio para a dor por duas razões. Primeiramente porque “uma coisa dolorosa dói ainda mais se a mantivermos calada, pois a alma está mais atenta a ela”. Segundo, porque “uma ação que convém a um homem de acordo com sua disposição real é sempre agradável para ele”. Lágrimas e gemidos são ações condizentes com qualquer pessoa que esteja com tristeza ou dor.

3.- Os amigos são um remédio. Aqui, Aquino se refere a Aristóteles, que explica que:

– 1.: “quando um homem vê os outros entristecidos por sua própria tristeza, parece que outros carregavam o fardo com ele, esforçando-se, por assim dizer, para diminuir seu peso; portanto, o fardo da tristeza torna-se mais leve para ele”. e

– 2.: “quando os amigos de um homem se condoem com ele, ele vê que é amado por eles, e isso lhe dá prazer”. E “todo prazer traz alívio”.

4.- A contemplação da verdade é o melhor remédio para a dor por uma razão muito simples. Novamente, o prazer traz alívio, e “o maior de todos os prazeres consiste na contemplação da verdade”.

5.- Sim, o sono e os banhos são um remédio. Aquino diz que, “pela sua natureza específica, a dor é repugnante ao movimento vital do corpo” (ou seja, enfraquece-o, arrasta nossa energia e força). Consequentemente, “tudo o que restabelece a natureza corpórea ao seu devido estado de movimento vital, opõe-se à dor e a acalma ”. Banhos e sono “trazem a natureza de volta ao seu estado normal”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Como receber a absolvição dos pecados sem a Confissão sacramental? A contrição perfeita


[Utilíssimos esclarecimentos dados pelo Pe. Leonardo Wagner, pároco da Par. Pessoal
Nª Sª do Rosário de Fátima e Sto. Antônio de Pádua no Rio de Janeiro]

EXISTE UM MEIO pelo qual Deus perdoa os nossos pecados antes mesmo da Confissão; este meio é a contrição perfeita. Estamos tratando de algo extremamente importante nos nossos tempos, em que as igrejas encontram-se fechadas por força de uma pandemia, e é difícil encontrar um padre para ouvir a nossa confissão. Assim, todos aqueles que cometeram pecados graves e que desgraçadamente se encontram impedidos de confessá-los, saibam que sempre teremos esse precioso recurso para a reconciliação sem demora com Deus. Mas o que vem a ser a contrição perfeita, afinal?
Como ser perdoado por Deus sem ir ao sacerdote para confessar os nossos pecados? Há algum meio de receber o perdão dos pecados graves sem confissão? Os padres não estão atendendo confissões por causa do coronavírus, o que fazer? Vejamos...


Em sua infinita misericórdia, Deus pôs à disposição de seus filhos, para a sua santificação, uma incomensurável quantidade de dons e graças. Alguns desses favores divinos, Ele os dispensa a todo e qualquer fiel. Outros, em sua sabedoria, o Criador os reserva a algumas almas eleitas: é o caso dos dons como o da profecia, o de fazer milagres e outros, concedidos apenas em determinadas circunstâncias, de acordo com as necessidades da Santa Igreja.


Há um outro dom divino muito especial, mas que não é reservado a alguns. Antes, esta graça divina maravilhosa está sempre ao alcance de todos os fiéis, sem qualquer exceção. Mais ainda, esse dom é de fundamental importância na vida espiritual de todo batizado. Estamos falando da contrição perfeita.


A contrição – ou arrependimento – é a dor de alma que a pessoa sente por haver pecado; essa dor só é verdadeira quando o pecador detesta a má ação praticada e tem o firme e honesto propósito de não mais pecar. Por exemplo, se um marido adúltero se diz arrependido pelo seu pecado, mas não tem intenção de terminar o relacionamento com sua mante, isto é, não tem verdadeiro horror ao pecado em si e nem esta determinado a abandoná-lo, nem faz o real propósito de se corrigir, então não está contrito.


Para ser autêntica, a contrição precisa ser interna, ou seja, provir de fato da alma, não pode reduzir-se a meras palavras pronunciadas.


Deve também ser geral, isto é, abranger todos os pecados, ao menos todos os pecados mortais. É necessário, por fim, que ela seja sobrenatural, quer dizer, que tenha por base alguma verdade da Fé: o temor a Deus, que tem o direito de ser obedecido, o amor a Deus que primeiro nos ama, o desejo do Céu pela proximidade com Deus, etc.


Se alguém rouba e depois se arrepende porque está em risco de ser preso, isso não é autêntica contrição, pois se baseia em motivos meramente naturais. A essência da contrição perfeita, pois, é a vontade de afastar-se do pecado


O melhor de tudo, como já foi dito, é que a graça do arrependimento está ao alcance de todos.


Para obtê-la, basta manifestar a Deus com sinceridade de alma o seu pesar por tê-Lo ofendido e o firme propósito de não tornar a pecar.


“A essência da contrição está na alma, na vontade de afastar-se deveras do pecado e converter-se a Deus”, afirma o Padre Johann von den Driesch.


Exemplos de verdadeira contrição



Vejamos um belíssimo exemplo de contrição perfeita, tirado do Evangelho.


No pátio da casa do sumo sacerdote Caifás, São Pedro negou três vezes a Jesus. Em seguida, saiu e “chorou amargamente” (Mt 26, 75).


Por que chorou São Pedro? Se fosse pelo fato de passar vergonha diante dos outros Apóstolos, seria uma dor meramente natural, não existiria verdadeira contrição. Se fosse por medo de ser excluído do Reino de Cristo, ele teria uma contrição autêntica, mas imperfeita.


Ele chorou, porém, por um motivo muito elevado, como diz o Padre von den Driesch: “Pedro arrepende- se e chora, antes de tudo, porque ofendeu a seu amado Mestre, tão bom, tão santo, tão digno de ser amado […].


Tem, pois, verdadeira e perfeita contrição”.


Os Evangelhos nos narram mais um magnífico exemplo de contrição perfeita: o da pecadora que se prostra aos pés de Jesus, banha-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos, beija-os e, por fim, os unge com perfumes. E o Divino Mestre declara que “seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela muito amou” (Lc 7, 47).


A contrição perfeita não desobriga da Confissão


Que pela contrição perfeita o pecador obtém o perdão dos seus pecados antes mesmo de confessar-se é doutrina afirmada no Concílio de Trento (14ª sess., cap. 4).

Entretanto, adverte o mesmo Concílio, ela não dispensa o pecador da necessidade de acusar-se de todos os seus pecados mortais no Sacramento da Confissão e de receber a absolvição do ministro de Deus. De modo que no próprio ato de contrição perfeita deve estar incluído o propósito de confessar-se[2] Quanto tempo depois? É pelo menos muitíssimo aconselhável confessar- se logo que possível.


“Mas é tão difícil ter contrição perfeita!” – poderá alguém pensar.


Puro engano! Para dar-nos essa graça, Deus exige de nós uma atitude bem ao nosso alcance: desejá-la realmente e pedi-la com insistência.


O Padre Johann von den Driesch sugere, entre outras, esta curta oração: “Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados”. A quem assim pede, com boa vontade e de coração sincero, Deus não deixará de atender.


Efeitos da contrição perfeita


Mesmo que a prática da contrição perfeita não possibilite o retorno à Comunhão sacramental, antes da Confissão a um sacerdote tão logo quanto possível, para aqueles que cometeram pecado mortal, ainda assim são maravilhosos os efeitos e benefícios que nos obtém, a começar pelo maior deles: a liberação da pena do Inferno. "Só" esse benefício já faria valer a pena sua prática. Vejamos:

A quem é pecador, a contrição perfeita perdoa imediatamente os pecados cometidos, devolvendo- lhe a graça santificante pela qual ele volta a ser filho de Deus, livrando- o das penas do Inferno e restituindo- lhe os méritos perdidos.


Dir-se-á, então, que a contrição perfeita beneficia apenas a quem cometeu pecado mortal. Não é verdade, pois ela robustece o estado de graça naqueles que não o perderam. Cada ato de contrição perfeita aumenta o grau da graça santificante em nossa alma, tornando-a mais formosa aos olhos de Deus!


Eis aí, leitor, um imenso dom que Deus deixou ao nosso alcance. Saibamos bem aproveitar esta dádiva celeste, procurando fazer diariamente muitos atos de contrição perfeita. Pois, além dos benefícios enumerados acima, quem se habitua a fazê-los com freqüência os repetirá, por assim dizer, instintivamente na hora da morte.


Portanto, uma prática benéfica também nos casos de pecados veniais, ou até mesmo quanto às imperfeições. Saibamos aproveitar a imensa bondade do Criador que nos dá essa misericordiosa oportunidade de nos apresentarmos diante d'Ele limpos do pecado!





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Fontes e ref.:
Driesch , Johann von den. A Contrição Perfeita – uma chave de ouro para o Céu, Tip. São Francisco, Bahia, 1913.

Gaudium Prss, 'Uma graça sempre ao nosso alcance', em:

Acesso 26/3/2020.
Revista Arautos do Evangelho, n.84, 12/2008.

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2. Cf. DENZINGER-HÜNERMANN, n. 1677.

As 15 promessas de Nossa Senhora para aqueles que rezarem o rosário


Public Domain, Wikipedia / ChurchPOP

Como se precisasse de mais motivos para rezar o rosário, você já ouviu falar das 15 promessas da Virgem Maria para aqueles que o rezarem regularmente?

Quando a Virgem Santíssima apareceu a São Domingos de Gusmão e deu-lhe a devoção do rosário, também lhe deu essas 15 promessas de benefícios espirituais para aqueles que o rezarem.

Pelo menos essa é a história contada desde o século XVII; não foi encontrada nehuma evidência desta história antes do século XV, quando foi popularizada pelo Beato Alano de La Roche.

Note-se que mesmo que as promessas tenham sido dadas por nossa Mãe Santíssima a São Domingos, elas ainda se enquadram na categoria de “revelação privada”, algo que não é uma parte da revelação divina pública, por isso os católicos não são obrigados a acreditar.

De qualquer maneira, essas promessas ainda podem ser tomadas como inspiração para rezar o Rosário.

1) A todos os que rezarem meu Rosário com devoção, prometo minha proteção especial e grandíssimas graças.

2) Aquele que perseverar na oração de meu Rosário receberá uma graça insigne. .

3) O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.

4)O Rosário fará florescerem as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia divina; fará que nos corações o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão com esse meio!

5) Quem se confia a mim por meio do Rosário não perecerá.

6) Quem rezar meu Rosário com devoção, meditando seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. Pecador, se converterá; justo, crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.

7) Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.

8) Aqueles que rezam meu Rosário encontrarão durante sua vida e em sua morte a luz de Deus e a plenitude de suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.

9) Libertarei muito prontamente do purgatório as almas devotadas a meu Rosário.

10) Os verdadeiros filhos de meu Rosário gozarão de uma grande glória no céu.

11) O que pedirem por meio de meu Rosário, obterão.

12) Aqueles que defenderem meu Rosário serão socorridos por mim em todas as suas necessidades.

13) Obtive de meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do céu.

14) Aqueles que rezarem fielmente meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.

15) A devoção a meu Rosário é um grande sinal de predestinação”.

Oração para obter o perdão do pecado da impureza e da pornografia, e para não voltar a cair neles

 


Por Henrique Sebastião

NESTES TEMPOS INSANOS, um pobre leigo pecador e indigno como eu torna-se diretor espiritual. Alguns me procuram pedindo conselhos e, na medida de minhas pequeninas forças, tento ajudar. Vivo uma vida só de lutas, de cair e levantar, portanto posso dizer, ao menos isto, que tenho experiência na batalha.


Uma dessas pessoas, que aconselho há anos, de tempos em tempos me procura. É um rapaz ainda relativamente jovem, mas tem grande maturidade, penso eu. Vive escravizado pela luxúria, caindo sempre no pecado da impureza e na pornografia. Como resultado das quedas constantes, vêm as dúvidas, a falta de confiança em Deus. Porque ele se confessa, prontifica-se e se compromete diante de Deus a não mais pecar, mas termina sempre vencido, cai novamente. Com o desânimo, a Fé se enfraquece; e essa fraqueza o convence de que nada pode contra o Inimigo de todos – nisso está certo: não podemos vencer o demônio, nem mesmo somos capazes de, por nossos próprios esforços, disciplinar a nossa natureza decaída, ordenando os movimentos de nossos corpos e mentes para o bem.

Para complicar ainda mais (e muito) a situação, por circunstâncias que não abordarei aqui, a pobre alma em questão se encontra sem acesso aos Sacramentos. Neste último contato, estava o rapaz nada menos que desesperado.

Ora o moço já tentou de tudo, fez até cursos (!) para tentar aprender a vencer as tentações, mas nada funciona, nada resolve, nada lhe traz resultados efetivos. De modo algum ele consegue se manter firme na Fé e viver uma vida plena como um bom cristão. Então, que fazer? Não há solução?


Posso dizer e testemunhar que, em casos desse tipo, só há uma única coisa que se pode fazer. Uma única coisa é eficaz e suficiente, e é isso o que aconselho agora, também a quem lê o que eu escrevo: torna-te criança, confessa teus pecados a Deus e confia inteiramente n'Ele. Recobra a confiança, levanta-te, limpa-te e lava teu rosto. Enfrenta o mundo com os seus males, não por tua força, mas pelo Poder d'Aquele que é tudo em todos. Nesta resolução e neste gesto, nossa Mãe do Céu pode ajudar, e muito. Nossos irmãos do Céu também podem ajudar, e muito. Confia em Deus. Desiste das tuas forças, deixa de ser juiz de ti mesmo e deixa de ser juiz do próprio Deus. Ao contrário, confia inteiramente n'Ele, e Ele tudo fará. Confia em Deus porque o seu poder, a sua graça e a sua misericórdia não têm fim. Assim tua oração será infalível e Ele te restaurará, se realmente o quiseres.

Eu recomendei a esse pobre homem, compartilhando com ele das minhas próprias misérias –, as quais por misericórdia do Deus que torna todo mal em bem fizeram-me entender essas coisas –, que lesse devotamente o Salmo 36, meditando que, para nós, os ímpios ali citados são os próprios demônios, que nos tentam hoje com poder redobrado. E que depois da leitura do Salmo fizesse uma contrição perfeita diante de Deus. Isso não é impossível nem é assim tão difícil como dizem, quando se quer verdadeiramente, e é plenamente possível obter o perdão divino por meio da contrição perfeita (saiba como fazer), desde que se procure a Absolvição sacramental assim que for possível.

Antes de fazer a contrição, recomendei que fizesse, de todo coração, uma oração muito especial: uma que fiz para ele baseada na que fiz para mim mesmo, em um momento de grande elevação da minha alma, numa ocasião em que Deus dignou-se descer de sua Glória para me acudir em meus apuros, assim como tem feito muitas vezes em minha vida miserável e atribulada. Deus o fez por meio da direção espiritual de um sacerdote santo, que em certa ocasião me deu todas as respostas – claramente vindas do Céu e não dele mesmo – de que eu tanto precisava.

Assim, resolvi compartilhar esta oração aqui, com todos os que porventura puderem se beneficiar dela. Que seja útil. Segue.





Ato de contriçãopara ser recitado, se possível, diante do Sacrário, ou em um lugar solitário e calmo


Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo,

É para mim muito difícil manter a Fé, hoje; nosso inimigo é forte, sou frágil diante dele; por mim mesmo não tenho como resistir às suas armadilhas, ao seu poder, às suas investidas incessantes e cada vez mais frequentes.



De tanto cair e, sempre que me levanto, voltar a cair novamente, tenho a impressão de que cada tropeço é pior que o anterior, que cada queda me fere mais, humilha-me mais, torna-me mais e mais incapaz e desmerecedor; que minhas infidelidades me fazem cada vez mais indigno. As esperanças se esvaem de mim como a água pelos dedos de uma criança que a tenta conter em suas mãos.



Sim, sou cada vez mais indigno da tua Presença, oh Cristo, meu Deus. A cada nova infidelidade, sinto-me mais distante de Ti, da tua misericórdia, mesmo que seja infinita, porque sei que és também severo, que és também justo e que cobrarás a cada um segundo seus frutos.



Como poderia me aproximar novamente de Ti, mais uma vez, após cair pela milésima vez? Se cada uma dessas infinitas quedas aconteceu por minha frouxeza e negligência, por minha preguiça e indolência? E se eu, pecador, não sei perdoar o meu próximo que erra, como poderei esperar o divino Perdão?



E mesmo assim, vens em meu socorro, Bom Pastor atrás da ovelha perdida. Bom e pleno de Luz e Beleza, resgatar o cordeiro imundo, malcheiroso, disforme. Vem o Rei dos reis acudir o verme, o inútil, o asqueroso. Vem o Rei da Perfeição salvar o grotesco, vem o esplendoroso Rei dos Fulgores em socorro do que chafurda nas trevas da impureza.



[pausa]



Como corresponder a esse Amor? [Ai de mim...] Como me apresentar diante de Ti, como admitir-me diante de vosso esplendor, eu que a tudo contamino com minha indignidade e imundície?




Tornei-me um joguete do demônio, sou como um brinquedo, um fantoche que não tem vida própria, uma folha seca arrebatada pelos violentíssimos ventos da tempestade que faz extinguir minha vida. Para nada me servi de todos os muitos dons que recebi. Sou pó e menos que pó, tornei-me nada e menos que nada. O Diabo me odiou e prevaleceu, fez de toda a bela pureza, que eu um dia tive, um monturo de excremento; e do bem eu mesmo fiz o mal, a virtude tornei em vício, a inocência afoguei em um bruto tacho de odiosas iniquidades.




E Deus, Deus Todo-Poderoso, quisera fazer por meio de mim coisas grandes, presenteando-me com inúmeros talentos. Encarnou-se, fez-se criança e fez-se Alimento por amor de mim. E eu, assim como os perversos carrascos, flagelei-o, escarneci d’Ele e o maltratei até as últimas consequências, sem nenhuma compaixão. Como Judas, eu o traí. Pior que o Iscariotes, que o fez uma vez, eu repeti a traição uma e outra vez, e de novo e de novo.




Será, oh, EU SOU, que ainda encontrarei perdão diante de Ti? Que ainda verei tua Misericórdia? Que serei beneficiado por teu Poder, mais uma vez? Eu, que só mereço a morte e o Inferno de tormentos?


Em teu Poder em teu Amor em tua Misericórdia, eu confio. Em Ti, confio plenamente. Sei que és a resposta a todos os meus clamores, a todos os meus anseios mais íntimos e mais profundos desde sempre. Que és a solução de todos os meus conflitos íntimos, que em Ti está a Justiça, a Verdade, o Caminho, o Amor que tudo realiza e faz viver. Em mim é que não confio. De minhas convicções de fidelidade, nada espero, de cada nova determinação minha de não tornar a pecar, já não faço o menor caso.


Ensinai-me, pois, a viver, SENHOR. Ensinai-me a ser fiel, conduzi-me por teus pastos, purificai-me como considerardes conveniente, fazei de mim um instrumento para a consumação da vossa Vontade e do Vosso Reino. Dai-me o que quiserdes, o que for de vosso agrado. Se quiserdes, podeis limpar-me. Se quiserdes, eu sei, por cima de todas as minhas falhas e vícios e culpas e maldades e infidelidades, podeis limpar-me.


Limpai-me, não para o meu bem, mas para a vossa maior Glória. Limpai-me, somente por amor do vosso Nome. Limpai-me, por vosso Sacrifício, Deus meu e Senhor meu. Limpai-me por vosso Amor, para que haja mais dos vossos e menos a integrar as fileiras do Inimigo, dos que o servem e trabalham pelo seu principado nefando.


Limpai-me para que, no fim, reste apenas um Cristo-EU SOU amando-se a Si mesmo. Para que eu possa clamar como as pedras que clamam quando os eleitos se calam. Sou pedra infecta, suja, calcada pelos pés dos homens e pelas patas dos animais. Mas ainda clamo. Limpai-me para que eu possa vos servir, como puder. Não por mim não por mim, mas por Vós, por Quem Sois, limpai-me. Limpai-me, porque quero apenas vos servir. E, se não for possível, restará a mim o consolo de saber que, no fim, triunfareis infalivelmente, Sumo Bem e Rei da Justiça; que meu sofrimento será a justa paga e justo tributo à vossa Justiça e Glória.



Já não peço piedade, somente que me permitais servir.



SENHOR JESUS, eu confio em Vós.


Santíssima Virgem, Maria; São Miguel e Santos do Céu, rogai a Deus por mim.



Amém

Ladainha da humildade

 

PARA TODOS NÓS, EM ESPECIAL SE ACHARMOS QUE NÃO PRECISAMOS

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-nos
Jesus, manso e humilde de coração, atendei-nos
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser buscado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus!
Que os outros sejam amados mais do que eu: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam estimados mais do que eu: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo, e que eu possa diminuir: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam louvados e eu esquecido:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu  pelo menos me torne santo como puder:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós!
São José, protetor das almas humildes, rogai por nós!
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós!
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós!
Ó Deus que, através dos ensinamentos e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça e como fundamento de todas as outras virtudes – caminho certo para o céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e a mais Santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
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Cardeal Rafael Merry del Val

“Eu vi aquela famosa luz”: depois de experiência de quase morte, ele decidiu virar padre

Créditos: Wikipedia / NCR.

Ele era um jovem de 25 anos, um católico “não muito praticante” até que uma experiência de quase morte não apenas o devolveu à fé, mas o fez tornar-se sacerdote.

Hoje, vinte e um anos depois, o padre Vincent Lafarge mora em Villeneuve, na Suíça, e se prepara para se tornar capelão de um hospital próximo em Rennaz.

“Eu vi aquela famosa luz”: depois de experiência de quase morte, ele decidiu virar padre

O padre lembra que antes de sofrer um terrível acidente de moto, “tinha três empregos ao mesmo tempo: era ator à noite, locutor de rádio pela manhã e professor de francês durante o dia. Como muitas pessoas daquela idade, eu pensei que era imortal.”

Naquela época ele era um católico “não muito praticante, mas costumava ler na missa para minha comunidade católica. Estava mais acostumado a falar com Deus para chamá-lo a prestar contas pela desgraça e do mal do mundo, ao invés de rezar“, reconhece.

Porém, um dia, enquanto dirigia, ele começou a meditar sobre essa aceleração com a qual vivia. “Eu estava pensando sobre isso naquela noite na minha moto e comecei a falar com Deus em meu coração. Eu disse: ‘Eu sei que estou indo rápido demais e que esse tique diz algo sobre minha vida. Estou fazendo muito e gostaria de poder frear, mas não sei como fazer, principalmente porque amo tudo o que faço’. Acrescentei: ‘Se és tão inteligente, se realmente existes, por que não tentas me impedir?’

E algo surpreendente aconteceu. “Eu estava em um sinal vermelho; e naquele momento, muito claramente, uma voz por cima da música que eu estava ouvindo alto em meus fones de ouvido começou a falar comigo. Essa voz, muito suave e gentil – e que não tinha nada a ver com a voz da minha consciência – me perguntou duas vezes: ‘Você está realmente ciente do que está me perguntando?’ E duas vezes, em voz alta, sem saber o que estava fazendo, respondi: ‘Sim'”.

O semáforo ficou verde e o jovem avançou cerca de 100 metros antes de bater de frente com um carro a 80 km/h. O veículo estava numa velocidade semelhante, então o impacto foi devastador.

E então a Providência de Deus se manifestou. “A motorista tinha um celular no carro (o que não era comum em 2000), e imediatamente chamou a polícia ao invés da ambulância, porque estava convencida de que eu estava morto quando me encontrou em uma poça de sangue”, diz o padre.

E explica: “Foi isso que salvou minha vida, porque depois nos disseram que a ambulância estava presa no trânsito, longe do local do acidente, enquanto um carro médico da polícia estava perto e chegou em dois minutos”.

Após o acidente, apesar de sobreviver ao impacto, ele sofreu danos gravíssimos. “Tive muitas fraturas, principalmente na pelve, que desencadearam hemorragias internas que não foram detectadas imediatamente. [Um médico] reconheceu uma mancha que indicava que eu estava sangrando e entendeu que eu estava morrendo. Meu coração ficou do lado de fora da porta da sala de cirurgia.

A experiência de quase morte

Assim ele relata o que aconteceu:

“O que aconteceu naquele momento é muito mais vívido do que qualquer outra coisa em minha mente. De repente, vi uma cena que pude observar de cima. Eu vi uma pessoa ferida em uma cama, pessoas se movendo ao seu redor, e então ouvi um bipe que indicava que um coração estava parando. Eu estava preocupado com essa pessoa sem entender que era eu. Ele estava em um estado de total bem-estar.

Na verdade, durou apenas um minuto, mas na minha percepção, foi muito mais tempo. Então, de repente, me virei, como se alguém estivesse me puxando por trás. Mas, em vez de olhar para o teto, vi aquela famosa luz imensa, da qual nunca tinha ouvido falar. É muito mais potente que a luz solar, sem deslumbrar. Ela me atraiu. Flutuei até esta luz por alguns momentos, mas ao contrário de outros, [que, por exemplo, afirmam ter visto entes queridos falecidos ou mesmo Jesus], eu não fui mais longe. Porém, para mim, aquela luz estava habitada, não por uma pessoa visível, mas por uma presença evidente, que era o Amor, o Amor incondicional. E, para mim, como aprendi depois, o amor é uma Pessoa: Deus. Foi isto que eu senti profundamente.

De repente, fui lançado de volta ao meu corpo. Foi o pior momento da minha vida, sensorialmente falando, embora tenha sido então que meu coração começou de novo. Todas as minhas dores acordaram”.

O caminho da conversão

Após o acidente e à medida que ia se recuperando, foi visitado por um capelão. Na primeira vez ele ignorou, mas o padre continuou a visitá-lo e um dia “ele me explicou longamente que Deus nunca faz o mal, que Ele não queria o mal que havia me atingido, mas que o estava usando para tocar meu coração.

Essa foi a primeira semente. Mas a conversão após a experiência de quase morte não foi imediata. “Passaram-se os primeiros dois anos, durante os quais explorei todas as religiões do mundo”. Até que, em certa ocasião, ouviu uma pessoa no rádio falar sobre poesia, arte, cinema; tudo que ele amava. E descobriu que o locutor era um padre. Isso terminou de convencê-lo, falou com ele ao telefone e decidiu entrar no seminário.

Padre Vincent Lafarge foi ordenado sacerdote em 2010 e hoje se prepara para substituir como capelão o mesmo pároco que o visitou após o acidente.

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.

 

almas do purgatório, não as esqueçais!

Os Terríveis Sofrimentos 
O que os Santos Doutores ensinam acerca dos sofrimentos do purgatório nos penetram de tema com paixão pelas almas.
S. Boaventura ensina que nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem. São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar. Confirmam Santo Ambrósio e São João Crisóstomo que todos os tormentos que o furor dos perseguidores e dos demônios inventaram contra os mártires, jamais atingirão a intensidade dos que padecem em tal lugar de expiação.
O fogo! Estremecemos só de lhe ouvir o nome. E estar-se no fogo inteiramente, num fogo ativo, penetrante, que vai até o início do ser – que cruel suplício.

Aquele fogo, diz S. Antônio, é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este se afigura como pintado num painel.
Após uma visão do purgatório, exclama Santa Catarina de Gênova. “Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno”.
É pior que todos os martírios, 0 Pe. Faber disse. Creio que as penas do purgatório são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida, diz São Gregório Magno.
S. Nicolau Tolentino teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas de nossos dolorosos tormentos. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-Ihe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.

A Duração das Penas 
Assegura-nos S. Vicente Ferrer, que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório lá sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até o fim do mundo.
 As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas…
S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. – Que queres de mim, pergunta.
- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!… Parecem mil anos!
São Paulo da Cruz o conheceu logo e respondeu admirado: Meu padre, faz tão pouco tempo que faleceu e já me falas em mil anos. O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu.
São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pela defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.
O Papa Inocêncio III apareceu a Santa Lutgarga dizendo que deveria ficar no purgatório até o fim do mundo por algumas faltas no governo da Igreja.
Nosso Senhor mostrou-lhe quatro padres que estavam lá já mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Ss. Sacramentos.
Santa Verônica Juliani fala de uma irmã que deveria ali permanecer tantos anos quantos passou neste mundo.
Ao padre Scoof, de Louvain, foi revelado que um banqueiro de Antuérpia estava no purgatório há mais de duzentos anos porque tinham rezado pouco por ele.

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.


 A Necessidade de Ajudar as Almas do Purgatório



Impotência para se acudirem

O estado das almas do purgatório é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.

Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a ideia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte de vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.
“Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais”.
Ai, dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.
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São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo a orar pelas almas.

Outrora muitas almas saíam do purgatório graças às orações dos fiéis, mas agora poucas saem de lá. Poucos se preocupam com elas.
A Santa Missa Salva Almas 
Purgatory_Mass
A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o gênero humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.
Certa feita, celebrando a Missa em uma igreja de Roma, São Bernardo caiu em êxtase e viu uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos conduziam as almas libertadas do purgatório em virtude do santo sacrifício. Nessa Igreja – Santa Maria Escada do Céu – há um quadro que representa essa visão.
Não há maior socorro às almas, diz Guerranger, que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.
Podemos duvidar do valor de nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?
Ao Beato João D’Avila, nos últimos instantes de vida, Perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!
Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a se queixar: “Ai, já te esqueceste de mim”.
- Não, meu amigo, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.
- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.
Henrique mandou celebrar inúmeras Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e lhe diz: “Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.
A cada missa, diz São Jerônimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicadas.

Seu Sacrifício também é uma Oração



Nossas Orações: Um meio fácil

Um movimento do coração, um olhar para o céu em sua lembrança, um suspiro de piedade, um pensamento de compaixão, os nomes de Jesus, Maria e José pronunciados com devoção em favor das almas, diminuem certamente suas penas.

Custa-nos muito pouco sufragar os defuntos. Somos obrigados a certas orações, a assistir Missas aos domingos, e aproximar-nos dos sacramentos, a perdoar nossos inimigos. Tudo isso é aceito por Deus e serve para alívio delas.
E os males do dia a dia? A fadiga do trabalho, as doenças, as humilhações, a tarefa de suportar os que nos rodeiam, os problemas, tudo isto pode servir para expiar os pecados das almas. E de que sofrimentos serão aliviados os finados!
Dizia S. Francisco de Sales: Vós que chorais inconsoláveis a perda de vossos entes queridos, eu não vos proíbo de chorar, não. Mas, procurai adoçar vossas lágrimas com o suave bálsamo da oração, que pode concorrer para as aliviar”.
A oração de Marta e Maria leva Jesus a ressuscitar Lázaro. Nossas preces pelos defuntos hão de tirar as pobres almas daquele estado em que se encontram.
Poupai vossas lágrimas, dizia São João Crisóstomo, pelos defuntos e dai-Ihes mais orações. E Santo Ambrósio conclui: “É preciso assisti-Ias com orações do que chorá-las”.
Nosso Senhor fez ouvir estas palavras a Santa Gertrudes: Muitíssimo grata me é a oração pelas almas do purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-Ias das suas penas e introduzí-las no glória eterna.
Os testemunhos encontrados nas vidas dos Santos provam claramente as vantagens da oração que se fazem pelas defuntos! (S. João Damasceno)

Santa Teresa dizia que tudo obtinha por intermédio das almas dos fiéis.
Quando quero obter com certeza uma graça, diz Santa Catarina de Bolonha, recorro a essas almas que sofrem, a fim de que apresentem a Deus o meu pedido, e  me é concedida a graça.
Nossos Sacrifícios


O sofrimento junto com a prece tem uma eficácia extraordinária para obter de Deus todas as graças. Aliviemos as almas do purgatório, diz São João Crisóstomo, com tudo que nos mortifica. Deus aplica aos mortos os méritos dos vivos.

Por aqueles que amais, sacrificai o que tendes de mais caro. Sacrificai-vos a vós mesmos. Ah, vejo essas almas felizes elevarem-se para o céu, nas asas de nossos sacrifícios, de nossas austeridades e sofrimentos, é o que diz o padre Belioux.
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O padre Jacques Monfort, S. J. escreveu um livro sobre a caridade para com as almas, e fê-lo imprimir em Colônia, por Guilherme Freysisen. tempos depois, ele recebeu uma carta do editor na qual narrava que seu filho e sua esposa tinham adoecido gravemente. Os médicos já tinham perdido as esperanças, e pensavam em funerais. Fui à Igreja e prometi distribuir cem exemplares do citado livro entre os padres a fim de lhes lembrar quanto se devem interessar pelos falecidos. No mesmo dia os doentes tiveram melhoras acentuadas e poucos dias depois estavam perfeitamente curados e tão sãos que o acompanharam à Igreja para agradecer a Deus tanta misericórdia.
Promete pois, em tuas dificuldades, propagar a devoção às santas almas e elas saberão ser gratas e o ajudarão.
A Gratidão das Almas


A ingratidão não pode existir no purgatório. Aquelas benditas almas nos hão de proteger e socorrer sempre.

O Cardeal Barônio conta que uma pessoa devota das almas foi terrivelmente tentada na hora da morte. Mas eis que uma multidão de pessoas veio em seu auxílio. Logo ficou livre de toda perturbação e perguntou: – Que multidão é esta que entrou aqui e na mesma hora senti alívio e fui socorrido pelo céu?
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O que fizerdes ao mínimo dos meus é a mim que o fazeis, diz o Senhor. Sereis medidos com a mesma medida que houverdes usado para com os outros. Deus é muito justo para deixar uma só ação sem recompensa e, recompensando como Deus, dá mais do que lhe deu.
Tudo o que damos por caridade, diz Santo Ambrósio, às almas do purgatório, converte-se em graças para nós e, após a morte, encontramos o seu valor centuplicado.
O purgatório é um banco espiritual em que podemos depositar quotidianamente nossas boas obras; e aí estão em seguro e se multiplicam; e quando estamos necessitados, daí vêm como viria o rendimento de um dinheiro depositado, a luz, a força, o auxílio que carecemos. Sejamos generosos; muito generosos.
Vantagens


Constituímos no céu um representante nosso que em nosso nome adora, louva e glorifica o Senhor.

Constituímos protetores nossos as almas por quem oramos, são Santas, é o que diz Suarez, essas almas caras a Deus. A caridade leva-as a nos amar… e intercederão por nós sem cessar.

As Almas Esperam por sua Ajuda

Almas-do-purgatório


Como são esquecidos os mortos!

A Igreja, querendo que não nos esqueçamos das almas, consagrou um dia inteiro todos os anos à oração pelos finados. Determinou que em todas as missas houvesse uma recomendação e um momento especial pelos mortos. Ela aprova, sustenta e estimula a caridade pelos falecidos.

Como são esquecidos os mortos! Exclamava santo Agostinho! E no entanto acrescenta S. Francisco de Sales, em vida eles nos amavam tanto.
Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu… acabou-se!
Se cremos na vida eterna, cremos no purgatório. E se cremos no purgatório, oremos pelos mortos. O purgatório é terrível e bem longo para algumas almas.
S. Francisco de Sales tinha medo de seus admiradores. Essas pessoas, imaginando que depois da minha morte fui logo direto para o céu, me farão sofrer no purgatório.
Santa Tereza pedia: apelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de Que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso”.
O grande Frederico Ozanan, deixou estas linhas: “Não vos deixes levar por aqueles que vos disserem: ele está no céu! Rezai sempre por aquele que muito vos ama, mas que muito pecou. Com o auxílio de vossas orações eu deixarei a terra com menos temor” .Santo Agostinho pede orações pelas almas de Mônica, sua mãe, e todos os leitores de seus livros.
Não canonizemos depressa nossos mortos. Nunca nos descuidemos do sufrágio deles, por que já o fizemos durante algum tempo, ou mandamos :celebrar alguma.