O Purgatório na Visão dos Santos - O que, porque e como é

 


Extraído do livro
O Purgatório Um Mistério de Amor
O Purgatório na Visão dos Santos
Geísa Maria Martins
Marques Saraiva Gráficos e Editores
Rio de Janeiro
1ª Edição, 2002



Purgatório – O que é?
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu.

Catecismo da Igreja Católica nº 1030
É um Dogma de Fé e por isso nenhum cristão pode colocar em dúvida sua existência. A Santa Igreja, baseando-se na Sagrada Escritura e na Tradição, definiu basicamente nos Concílios de Florença e de Trento o que devemos acreditar sobre este assunto.
Estado de espírito onde as almas pagam as dívidas à Justiça Divina.
É muito importante saber que…
As almas do Purgatório já não podem mais merecer, isto é, não têm a possibilidade de alcançar méritos, não podem fazer nada para merecer a vida eterna, precisam de nós que ainda temos à nossa disposição os Tesouros da Redenção, que é formado pelos os Méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos.
Isto entenderemos melhor mais adiante…
Entre o último suspiro, e a eternidade, há um abismo de misericórdia”. - São Francisco de Sales

O Purgatório na Palavra de Deus
A doutrina sobre o Purgatório não está explícita na Bíblia Sagrada, no entanto, algumas passagens dão as ideias fundamentais de sua existência.
Em 2 Macabeus 12, 39-46 – “…puseram-se em oração para pedir que o pecado cometido fosse cancelado”. “…ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado”.
Em Mateus 5, 25-26 – “…dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
Em Mateus 12, 31-32 – “…não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro”.
No Apocalipse 21, 27 – “Nela jamais entrará algo de imundo”.

Por que motivos podemos ir para o Purgatório?
Todo pecado trás como consequência duas coisas:
A culpa e a pena (pena eterna + pena temporal).
Pela verdadeira contrição e pelo Sacramento da Reconciliação, ficam perdoadas a culpa e a pena eterna.
Todavia, permanece a pena temporal, o dever da penitência e da reparação do mal que cometemos. Fica uma dívida que devemos pagar à Justiça de Deus, nesta vida ou no Purgatório.
Pelas Indulgências podemos diminuir e até apagar toda a pena temporal. Sobre as indulgências falaremos adiante.
Assim podemos resumir os motivos que nos levam ao Purgatório:
 – pelos pecados veniais não remidos ou perdoados neste mundo;
 – pelas inclinações viciosas deixadas em nossa alma pelo hábito do pecado e
 – pela pena temporal devida a todo pecado mortal ou venial cometido depois do batismo e não expiado ou expiado insuficientemente nesta vida.

Como são os sofrimentos (penas)?
1º Sofrimento – Pena dos Sentidos
Reuni todas as penas que os homens têm sofrido, sofrem e sofrerão, desde o princípio do mundo até o fim dos tempos; juntai todos os tormentos que os tiranos e os algozes têm feito sofrer aos mártires: será uma pálida imagem dos tormentos do Purgatório; e, se às pobres encarceradas fosse permitida a escolha, prefeririam aqueles suplícios durante mil anos a ficarem no Purgatório mais um dia”. - Santa Catarina de Gênova
A dor não é o golpe que recebe, mas a sensação dolorosa desse golpe”. - São Tomás de Aquino
O fogo que envolve é o mesmo que atormenta os condenados no inferno, e esse fogo, oh, é terrível!” - São Tomás de Aquino
As penas do Purgatório são passageiras, não são eternas, mas creio que são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida”. - São Gregório Magno
Como deve ser maravilhoso o Céu, pois Deus exige uma purificação tão dolorosa das almas”. - Santa Catarina de Sena
2º Sofrimento – Pena do Dano
É a separação forçada de Deus ou uma força irresistível, que a cada instante afasta bruscamente de Deus a alma que a todo momento, por instinto de sua natureza, corre a se unir com Ele. Imaginemos uma mãe que chamada pelo filho prestes a ser devorado por uma fera, fosse retida por uma força invencível no momento em que se precipitasse em seu socorro. Para as almas esta sensação é uma constante.
3º Sofrimento – Impotência de se acudirem a si próprias
É a impotência absoluta, não podem nem fazer penitência, nem merecer, nem satisfazer à Justiça Divina, nem ganhar uma indulgência, nem receber os Sacramentos.
Mais uma vez é importante lembrar que nós podemos ajudá-las a se libertarem.
4º Sofrimento – O conhecimento dos seus pecados
As almas do Purgatório veem as coisas de Deus diferente de nós, esclarecidas pela Divina Luz, compreendem elas o respeito, o amor, a obediência que deviam a Deus, e ainda, a ingratidão dos pecados que cometeram. Essa ingratidão as oprime de tantos remorsos, que elas sentem a necessidade de sofrer para expiar tanta falta de amor, e ainda, a esse sentimento se une o pensamento de que teriam podido facilmente evitar em vida as faltas que as fazem sofrer.
5º Sofrimento – O esquecimento em que caem
As almas sofrem com o esquecimento dos seus, elas pedem o repouso, o refrigério e a luz, e não rezamos por elas o quanto deveríamos, para libertá-las desse estado.
6º Sofrimento – Incerteza do tempo de permanência no Purgatório
Na eternidade não há mais tempo. O tempo não é como o nosso, elas sofrem sem saber quando vão se libertar. Um minuto nosso para elas é uma eternidade.
Eu temo, temo do bom conceito que meus amigos têm feito de mim; entendendo que eu já estou no Céu, sem querer me deixarão ficar no Purgatório”. - São Francisco de Sales
De boa vontade eu ficaria cem mil anos no Purgatório, pois teria a certeza do Paraíso”. - São Bernardino de Sena

O que nos leva ao Purgatório?
A Tibieza e o Pecado Venial
A tibieza é o hábito não combatido do pecado venial, ainda que seja um só”. - Santo Afonso
A tibieza mina o espírito, sem que as pessoas percebam, nos enfraquece espiritualmente, amortece as energias da vontade e do esforço. Afrouxa a vida cristã. É um sistema de acomodações na vida espiritual do cristão.
Há muitos sinais de tibieza, mas o que a caracteriza é o pecado venial deliberado e habitual.
Tudo quanto ofende a Nosso Senhor nunca é leve ou coisa sem importância para uma alma fervorosa. O pecado venial é uma ofensa a Deus, e nele há:
Três circunstâncias agravantes:
 – Uma injúria a Majestade Divina.
 – Revolta contra a Autoridade de Deus.
 – Ingratidão a Bondade Eterna.
O hábito dos pecados veniais tira dos nossos olhos a malícia do pecado grave, e em breve não receamos passar das faltas mais leves aos maiores pecados”. - São Gregório
Depois da morte, as menores penas que nos esperam é algo maior do que tudo que se possa padecer neste mundo. “As menores faltas são punidas severamente”. - Santo Anselmo

O que devemos fazer?
Eis as palavras de Santo Agostinho:
Devemos, pois socorrer os falecidos:
 – Em razão do parentesco de sangue.
 – Por gratidão, aos benfeitores nossos.
 – Por justiça.
 – Por caridade.
O Santo Cura d’Ars, São João Batista Vianney, era um devoto fervoroso das almas do Purgatório. Pedira a Deus a graça de sofrer muito. Os sofrimentos do dia, oferecia-os pela conversão dos pecadores, e os da noite, pelas almas do Purgatório.
Se soubéssemos como é grande o poder das boas almas do Purgatório (em nosso favor) sobre o Coração de Jesus, e se soubéssemos também quantas graças poderíamos obter por intercessão delas, é certo, não seriam tão esquecidas”. - São João Batista Vianney

Como podemos ajudá-las?
Um dia, Santa Gertrudes rezava com fervor pelos falecidos, quando Nosso Senhor lhe fez ouvir estas palavras:
Eu sinto um prazer todo especial pela oração que me fazem pelos fiéis defuntos, principalmente quando vejo que a compaixão natural se junta a boa vontade de a tornar mais meritória. A oração dos fiéis desce a todo instante sobre as almas do Purgatório, como um orvalho refrigerante e benéfico, como um bálsamo salutar que adoça e acalma suas dores, e ainda as livra das suas prisões mais ou menos rapidamente conforme o fervor da devoção com que é feita”.
E ainda noutra ocasião:
Muitíssimo grata me é a oração pelas almas do Purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-las das suas penas e introduzi-las na glória eterna”.

Oração
Aplicando as indulgências recebidas na oração em sufrágio, para a liberdade das almas do Purgatório.
Aqui vemos a importância das indulgências, através delas pagamos à Justiça Divina o que devemos, ou as oferecemos pelas almas para que elas possam assim pagar o devem à Justiça Divina, e se libertarem para entrar no gozo Celeste.
Salmo 129 (130) – De Profundis
É um dos sete Salmos Penitenciais, e é uma oração indulgenciada.
Orações canônicas do Breviário ou Divino Ofício, Orações Oficiais da Igreja
A oração é a chave de ouro que abre o Céu”. - Santo Agostinho

Sofrimento
Aliviemos as almas do Purgatório, aliviemo-las por tudo o que nos penaliza, porque Deus tem cuidado em aplicar aos mortos os méritos dos vivos”. - São João Crisóstomo
Podemos aceitar os nossos sofrimentos com amor e humildade, oferecendo-os em sacrifício pelas almas, afim de que elas sofram menos. É meritório para nós (santificação) e para as almas (alívio dos sofrimentos) oferecer a Nosso Senhor Jesus Cristo a cruz de cada dia pelos nossos falecidos. Quem não tem a sua cruz?
É bom lembrar que, aceitando os sofrimentos da vida, em espírito de reparação, estaremos diminuindo as penas que poderemos experimentar se formos para o Purgatório. Não sabemos o nosso futuro.

Ato Heroico
Quando fazemos um ato de penitência e oração, como por exemplo, rezar um Santo Terço de joelhos, há neste ato, três frutos diferentes:
Um fruto meritório – que não o podemos perder, é o mérito pessoal de quem o pratica, nos dá um acréscimo de graça e de glória.
Um valor satisfatório do ato – que é a penitência, o sacrifício, e este é para as almas, no Ato Heroico.
Uma força impetratória – que é a da oração como oração.
“É o ato que consiste em oferecer à Divina Magestade, em proveito das almas do Purgatório, todo o valor satisfatório das obras que fizemos durante a vida, e todos os sufrágios que forem aplicados pela nossa alma depois da morte”.
Este ato há de ser feito em perpétuo, isto é, por toda a vida continuando após a morte, mas não obriga sob pena de pecado, a pessoa pode renunciá-lo, não comete pecado mortal nem venial.
Pelo Ato Heroico não renunciamos o mérito de nossas boas obras, isto é o fruto meritório, que nos dá nesta vida um acréscimo da graça e da glória no Paraíso. Este merecimento é nosso e não o podemos ceder aos outros.
Além disso, tudo o mais que fizermos, será em proveito das almas do Purgatório, desde que fazemos o Ato Heroico, todas as indulgências que lucramos são das almas. Só a indulgência plenária na hora da morte não é aplicável aos falecidos. O Ato Heroico não impede de rezar nas próprias intenções e pelos falecidos.
O Ato Heroico não nos impede de utilizar a força impetratória da oração por alguma alma em particular, mas a entrega que se faz em favor das almas sofredoras neste ato, no qual cedemos o valor satisfatório, é feito, em geral, por todas as almas, e não em favor de uma ou outra em particular.
É um engano pensar que se perde muito com o Ato Heroico, ao contrário, lucra-se mil vezes mais. Deus se deixa vencer em generosidade? Este Ato é cheio de mérito, é um ato perfeito, que nos faz esquecer de nós mesmos para favorecer nossos irmãos e praticar a caridade. “A caridade cobre uma multidão de pecados”, nos ensina a Palavra de Deus. Este heroísmo de caridade será recompensado com superabundância de graças em vida e de glória na eternidade.
Para realizá-lo, não é prescrita uma oração em especial, pode ser feito espontaneamente.

Missas Gregorianas
É providenciar a celebração de trinta Santas Missas individuais, isto é, por uma só alma e não por diversas na mesma Santa Missa, em trinta dias consecutivos, se por acaso nestes dias forem os três últimos dias da Semana Santa (sexta-feira ao domingo), a interrupção não altera o prosseguimento, as Santas Missas destes dias podem ser celebradas depois em seguida. Todavia, não é necessário que as Santas Missas sejam celebradas pelo mesmo sacerdote, numa mesma igreja e altar.
O essencial é que sejam celebradas trinta Santas Missas por um falecido, em trinta dias consecutivos.
Deus acolhe com mais fervor a oração pelos mortos, do que a que nós lhe dirigimos pelos vivos”. - São Tomás

Exercícios de piedade nas segundas–feiras e no Mês de Novembro
Como nos ensina a Tradição cristã, o costume de fazer piedosos exercícios pelas almas do Purgatório nas segundas-feiras durante o ano todo, e também durante todos os dias do mês de Novembro, neste mês rezamos em especial pelas almas do Purgatório, nestes dias pratiquemos em sufrágio das almas o quanto pudermos; assistir a Santa Missa, receber a Sagrada Comunhão, dar esmolas, fazer a Via Sacra, visitar os doentes, enfim, temos à nossa disposição muitas maneiras de sufragá-las.

Santa Missa
É o maior, mais poderoso e eficaz sufrágio que possamos oferecer a Deus pelos falecidos. É o mesmo Sacrifício do Calvário, na Santa Missa se oferece o próprio Deus para reparar as faltas de toda a humanidade. Pode haver maior sufrágio que a Santa Missa?
Distinguem-se quatro frutos principais do Santo Sacrifício:
Um fruto geral – aplicado a todos os fiéis vivos e falecidos não separados da Comunhão da Igreja;
Um fruto especial – aplicado aos que assistem atualmente a Santa Missa;
Um fruto especialíssimo – aplicado aos que mandam celebrar a Santa Missa e
Um fruto ministerial – que pertence ao celebrante e é alienável.
Vale mais assistir devotamente uma Santa Missa por nós em vida, ou dar espórtula para se celebrar, do que várias Missas após a morte”. - Santo Anselmo
A cada Santa Missa celebrada com devoção, saem muitas almas do Purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa aplicada por elas”. - São Jerônimo
Os anjos não somente assistem ao Sacrifício da Santa Missa, senão que no fim acodem voando às portas do Purgatório a libertar às almas, às quais Deus aplica a virtude do Santo Sacrifício que se acaba de celebrar”. - São João Crisóstomo
Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa”. - São Lourenço Justiniano
Toda Santa Missa diminui teu Purgatório; toda Santa Missa alcança-te um grau de glória no Céu”. - São Bernardo
A Santa Missa é o sol que dissipa as trevas do Purgatório”. - São Francisco de Sales
Na hora da morte, as Santas Missas às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Santa Missa podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados…”. - Santo Agostinho

Comunhão
Sim, depois da Santa Missa, não há sufrágio melhor e mais poderoso para socorrer as pobres almas que a Santa Comunhão. Escreveu São Boaventura: “Que a caridade te leve a comungar, porque nada há tão eficaz para proporcionar descanso aos que padecem no Purgatório”.
A comunhão dignamente recebida é um meio especialíssimo para o sufrágio das almas do Purgatório, pois na Sagrada Comunhão oferecemos o próprio Deus.
Podemos também oferecer a Comunhão Espiritual pelas almas sofredoras.

Penitência e Boas Obras
A penitência além de nos ser necessária, é muito meritória, e podemos oferecê-la em sufrágio das almas do Purgatório.
Oferecer alguns momentos de sede de vez em quando, para matar a sede que as almas do Purgatório têm de Deus.
Mortificar a curiosidade nas leituras, em querer saber tudo, para reparar os pecados cometidos pelas almas por esta falta de mortificação. Dominar a gula, os vícios, etc.
Fazer atos de humildade para reparar o orgulho cometido por tantas almas que sofrem.
Reservar um pouco dos rendimentos para providenciar a celebração da Santa Missa, e para outros atos de caridade em sufrágio das almas do Purgatório.
Assim, tiraremos duplo proveito: a nossa santificação e o alívio das almas sofredoras.
Uma pequena penitência livremente praticada nesta vida é preferível, aos olhos de Deus, a uma grande penitência imposta na outra”. - São Boaventura

Via Sacra
É também um excelente meio de sufrágio para as almas sofredoras, a meditação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo nos recorda o Preciosíssimo Sangue derramado pela salvação das almas, e nos faz pedir pelo Sangue de Cristo a libertação das almas do Purgatório.
Se quereis crescer de virtude em virtude, atrair para vossa alma graça sobre graça, entregai-vos muitas vezes ao piedoso exercício da Via Sacra”. - São Boaventura

Esmolas
Socorramos os pobres e necessitados, oferecendo as indulgências recebidas em sufrágio das almas do Purgatório.
Já no Antigo Testamento observamos esta prática.
O anjo disse a Tobias:
A esmola salva da morte, apaga os pecados, tira a alma das trevas, faz-lhe achar graças diante de Deus e lhe assegura a vida eterna”.- Tobias 4, 8-11

Água Benta
O Venerável padre Domingos de Jesus, segundo o costume da Ordem Carmelitana, tinha uma caveira sobre a mesa de sua cela. Certo dia, ao ter aspergido essa caveira com água benta, a mesma começou a bradar em voz alta suplicando: Mais água benta! Porque ela alivia o ardor das chamas horrivelmente dolorosas!
A oração da Igreja intercede por meio da água benta, por isso as almas do Purgatório tanto anseiam pelo uso desta em seu favor.

Nossa Senhora – Uma parte especial à sua Intercessão…
Eu sou a Rainha do Céu, eu sou a Mãe da misericórdia, o caminho por onde voltam os pecadores a Deus. Não há pena no Purgatório que não se alivie e que por Mim não se torne menor do que se o fôra sem Mim”. - Nossa Senhora à Santa Brígida
Cada ano, nas grandes festas, a Mãe de Deus desce ao Purgatório e liberta muitas almas do sofrimento, levando-as para a glória, sobretudo nas festas da Páscoa, do Natal e da Assunção”. - Venerável Dionizio Cartuziano

Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Diz a tradição que na noite do dia 16 de julho de 1251, o Prior Geral dos Carmelitas, São Simão Stock, um homem considerado por todos os Irmãos como um homem de intensa oração, de entrega total, devoção e amor à Mãe do Carmelo, a Virgem Maria, mergulhado na oração, dirigiu-se a Virgem Maria e pediu-lhe a proteção da “Senhora” sobre seus vassalos em tempos de perseguição e dificuldades. Pediu-lhe que ajudasse a seus Irmãos, porque estes sempre se mantinham fiéis a seu serviço e agora necessitavam de sua ajuda. Neste momento, segundo a tradição, rezou esta famosa oração que até hoje os Carmelitas cantam solenemente nas festas:
“Flor do Carmelo, vide florida.
Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável.
Doce Mãe, mas sempre Virgem,
Sede propicia aos carmelitas, Ó Estrela do Mar”.
Durante esta oração, apareceu-lhe a própria Virgem Maria, rodeada de anjos.
Entregou-lhe o Escapulário que tinha em suas mãos e lhe disse:
Recebe, meu filho muito amado, este Escapulário de tua Ordem, sinal de meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem com ele morrer, não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e de amor eterno”.
E ainda:
Eu, como terna Mãe dos confrades carmelitas, descerei ao Purgatório no primeiro sábado depois da sua morte e os livrarei e os conduzirei ao Monte Santo da vida eterna”.
Normas Práticas no uso do Escapulário:
O escapulário é imposto só uma vez por um sacerdote, com a imposição passa-se a fazer parte da grande família carmelitana, participando de toda a vida espiritual do Carmelo.
Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente; por isso recomenda-se que seja substituído por um novo quando necessário. Este também deverá receber a benção sacerdotal.
Pode ser substituído por uma medalha que represente de uma parte a imagem do Sagrado Coração de Jesus e da outra, a Virgem Maria.
O escapulário compromete com uma vida autêntica de cristãos que se conformam às exigências evangélicas, recebem os Sacramentos, professam uma especial devoção à Santíssima Virgem, expressa ao menos com a recitação diária de três Ave-Marias.
O Escapulário do Carmo não é:
Um amuleto;
Uma garantia automática de salvação;
Uma dispensa de viver as exigências da vida cristã.

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Bibliografia
A Bíblia de Jerusalém
Catecismo da Igreja Católica
BRANDÃO, Monsenhor Ascânio. Tenhamos Compaixão das Pobres Almas. São Paulo, Editora Ave Maria, 2ª edição, 1956.
REIS, Pe. Oliveiros de Jesus. O Purgatório e as Almas que Sofrem. Porto – Portugal, edição do Cavaleiro da Imaculada, 5ª edição.
PEREIRA, Monsenhor Dr. José Basílio. Mês das Almas. Salvador, Bahia, Editora Mensageiro da Fé Ltda, 15ª edição. 1969.
PINTO, Hugo Ferreira. Coração Indulgentíssimo de Jesus – Introdução ao Manual de Indulgências. Petrópolis, Rio de Janeiro, Editora Vozes. 1998.
Manual das Indulgências normas e concessões. São Paulo, Editora Paulus, 3ª edição, 1989.
Sufrágio. Belo Horizonte, Editora da Divina Misericórdia, 1996.

Disponivel em: http://almasdevotas.blogspot.com/p/purgatorio-o-que-e-os-que-morrem-na.html

Os remédios (reais) de Santo Tomás de Aquino contra a dor e a tristeza

 

THOMAS AQUINAS


Você já ouviu a frase segundo a qual Santo Tomás de Aquino recomendaria um bom sono, um banho e uma taça de vinho para espantar a tristeza? Saiba o que realmente está por trás dessa afirmação

A navegar pela internet, você já deve ter-se deparado com uma frase bastante reconfortante atribuída a Santo Tomás de Aquino. Ela diz o seguinte: “a tristeza pode ser aliviada por um bom sono, um banho e uma taça de vinho”.

Isso sim é uma bela combinação! Uma taça de vinho antes ou depois de um bom banho pode ajudar a maioria de nós a dormir melhor — pergunte a qualquer um de seus amigos mediterrâneos em caso de dúvida. No entanto (e desculpe decepcionar) não é isso que Aquino disse.  

Tomás de Aquino discute as curas para a dor na Segunda Parte da Summa Theologica, mais especificamente na questão 38 (Dos remédios da dor ou tristeza). Porém, enquanto o sono e os banhos são de fato recomendados, o vinho não aparece na lista.

De maneira tipicamente escolástica, Tomás de Aquino procede fazendo perguntas e levantando objeções a algumas respostas possíveis. Na maioria das vezes, essas objeções vêm de textos aristotélicos ou agostinianos. Para facilitar a leitura (e, portanto, o processo de pensamento), a questão é subdividida em cinco artigos concisos, porém abrangentes, que abordam os aspectos mais relevantes do problema em questão. Tomás de Aquino divide a Questão 38 da seguinte forma:

1.- se o prazer mitiga a dor ou a tristeza;

2.- se o pranto mitiga tristeza;

3.- se o amigo que se compadece conosco mitiga a tristeza;

4.- se a contemplação da verdade mitiga a dor;

5.- se o sono e o banho mitigam a tristeza.

Enquanto Tomás de Aquino escreveu de forma clara, concisa e diretamente ao ponto, a filosofia escolástica não é necessariamente sempre citável. Estes são processos de pensamento silogísticos minuciosos, muitas vezes meticulosos, que exigem paciência, conhecimento e atenção. Você pode ler a pergunta inteira aqui, mas se você não quiser filosofar, aqui está um resumo (bastante incompleto).  

1.- Todo prazer traz um certo tipo de alívio dos tempos difíceis. Nem todo prazer será necessariamente o melhor remédio, mas alivia a tristeza. 

2.- O choro é remédio para a dor por duas razões. Primeiramente porque “uma coisa dolorosa dói ainda mais se a mantivermos calada, pois a alma está mais atenta a ela”. Segundo, porque “uma ação que convém a um homem de acordo com sua disposição real é sempre agradável para ele”. Lágrimas e gemidos são ações condizentes com qualquer pessoa que esteja com tristeza ou dor.

3.- Os amigos são um remédio. Aqui, Aquino se refere a Aristóteles, que explica que:

– 1.: “quando um homem vê os outros entristecidos por sua própria tristeza, parece que outros carregavam o fardo com ele, esforçando-se, por assim dizer, para diminuir seu peso; portanto, o fardo da tristeza torna-se mais leve para ele”. e

– 2.: “quando os amigos de um homem se condoem com ele, ele vê que é amado por eles, e isso lhe dá prazer”. E “todo prazer traz alívio”.

4.- A contemplação da verdade é o melhor remédio para a dor por uma razão muito simples. Novamente, o prazer traz alívio, e “o maior de todos os prazeres consiste na contemplação da verdade”.

5.- Sim, o sono e os banhos são um remédio. Aquino diz que, “pela sua natureza específica, a dor é repugnante ao movimento vital do corpo” (ou seja, enfraquece-o, arrasta nossa energia e força). Consequentemente, “tudo o que restabelece a natureza corpórea ao seu devido estado de movimento vital, opõe-se à dor e a acalma ”. Banhos e sono “trazem a natureza de volta ao seu estado normal”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Como receber a absolvição dos pecados sem a Confissão sacramental? A contrição perfeita


[Utilíssimos esclarecimentos dados pelo Pe. Leonardo Wagner, pároco da Par. Pessoal
Nª Sª do Rosário de Fátima e Sto. Antônio de Pádua no Rio de Janeiro]

EXISTE UM MEIO pelo qual Deus perdoa os nossos pecados antes mesmo da Confissão; este meio é a contrição perfeita. Estamos tratando de algo extremamente importante nos nossos tempos, em que as igrejas encontram-se fechadas por força de uma pandemia, e é difícil encontrar um padre para ouvir a nossa confissão. Assim, todos aqueles que cometeram pecados graves e que desgraçadamente se encontram impedidos de confessá-los, saibam que sempre teremos esse precioso recurso para a reconciliação sem demora com Deus. Mas o que vem a ser a contrição perfeita, afinal?
Como ser perdoado por Deus sem ir ao sacerdote para confessar os nossos pecados? Há algum meio de receber o perdão dos pecados graves sem confissão? Os padres não estão atendendo confissões por causa do coronavírus, o que fazer? Vejamos...


Em sua infinita misericórdia, Deus pôs à disposição de seus filhos, para a sua santificação, uma incomensurável quantidade de dons e graças. Alguns desses favores divinos, Ele os dispensa a todo e qualquer fiel. Outros, em sua sabedoria, o Criador os reserva a algumas almas eleitas: é o caso dos dons como o da profecia, o de fazer milagres e outros, concedidos apenas em determinadas circunstâncias, de acordo com as necessidades da Santa Igreja.


Há um outro dom divino muito especial, mas que não é reservado a alguns. Antes, esta graça divina maravilhosa está sempre ao alcance de todos os fiéis, sem qualquer exceção. Mais ainda, esse dom é de fundamental importância na vida espiritual de todo batizado. Estamos falando da contrição perfeita.


A contrição – ou arrependimento – é a dor de alma que a pessoa sente por haver pecado; essa dor só é verdadeira quando o pecador detesta a má ação praticada e tem o firme e honesto propósito de não mais pecar. Por exemplo, se um marido adúltero se diz arrependido pelo seu pecado, mas não tem intenção de terminar o relacionamento com sua mante, isto é, não tem verdadeiro horror ao pecado em si e nem esta determinado a abandoná-lo, nem faz o real propósito de se corrigir, então não está contrito.


Para ser autêntica, a contrição precisa ser interna, ou seja, provir de fato da alma, não pode reduzir-se a meras palavras pronunciadas.


Deve também ser geral, isto é, abranger todos os pecados, ao menos todos os pecados mortais. É necessário, por fim, que ela seja sobrenatural, quer dizer, que tenha por base alguma verdade da Fé: o temor a Deus, que tem o direito de ser obedecido, o amor a Deus que primeiro nos ama, o desejo do Céu pela proximidade com Deus, etc.


Se alguém rouba e depois se arrepende porque está em risco de ser preso, isso não é autêntica contrição, pois se baseia em motivos meramente naturais. A essência da contrição perfeita, pois, é a vontade de afastar-se do pecado


O melhor de tudo, como já foi dito, é que a graça do arrependimento está ao alcance de todos.


Para obtê-la, basta manifestar a Deus com sinceridade de alma o seu pesar por tê-Lo ofendido e o firme propósito de não tornar a pecar.


“A essência da contrição está na alma, na vontade de afastar-se deveras do pecado e converter-se a Deus”, afirma o Padre Johann von den Driesch.


Exemplos de verdadeira contrição



Vejamos um belíssimo exemplo de contrição perfeita, tirado do Evangelho.


No pátio da casa do sumo sacerdote Caifás, São Pedro negou três vezes a Jesus. Em seguida, saiu e “chorou amargamente” (Mt 26, 75).


Por que chorou São Pedro? Se fosse pelo fato de passar vergonha diante dos outros Apóstolos, seria uma dor meramente natural, não existiria verdadeira contrição. Se fosse por medo de ser excluído do Reino de Cristo, ele teria uma contrição autêntica, mas imperfeita.


Ele chorou, porém, por um motivo muito elevado, como diz o Padre von den Driesch: “Pedro arrepende- se e chora, antes de tudo, porque ofendeu a seu amado Mestre, tão bom, tão santo, tão digno de ser amado […].


Tem, pois, verdadeira e perfeita contrição”.


Os Evangelhos nos narram mais um magnífico exemplo de contrição perfeita: o da pecadora que se prostra aos pés de Jesus, banha-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos, beija-os e, por fim, os unge com perfumes. E o Divino Mestre declara que “seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela muito amou” (Lc 7, 47).


A contrição perfeita não desobriga da Confissão


Que pela contrição perfeita o pecador obtém o perdão dos seus pecados antes mesmo de confessar-se é doutrina afirmada no Concílio de Trento (14ª sess., cap. 4).

Entretanto, adverte o mesmo Concílio, ela não dispensa o pecador da necessidade de acusar-se de todos os seus pecados mortais no Sacramento da Confissão e de receber a absolvição do ministro de Deus. De modo que no próprio ato de contrição perfeita deve estar incluído o propósito de confessar-se[2] Quanto tempo depois? É pelo menos muitíssimo aconselhável confessar- se logo que possível.


“Mas é tão difícil ter contrição perfeita!” – poderá alguém pensar.


Puro engano! Para dar-nos essa graça, Deus exige de nós uma atitude bem ao nosso alcance: desejá-la realmente e pedi-la com insistência.


O Padre Johann von den Driesch sugere, entre outras, esta curta oração: “Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados”. A quem assim pede, com boa vontade e de coração sincero, Deus não deixará de atender.


Efeitos da contrição perfeita


Mesmo que a prática da contrição perfeita não possibilite o retorno à Comunhão sacramental, antes da Confissão a um sacerdote tão logo quanto possível, para aqueles que cometeram pecado mortal, ainda assim são maravilhosos os efeitos e benefícios que nos obtém, a começar pelo maior deles: a liberação da pena do Inferno. "Só" esse benefício já faria valer a pena sua prática. Vejamos:

A quem é pecador, a contrição perfeita perdoa imediatamente os pecados cometidos, devolvendo- lhe a graça santificante pela qual ele volta a ser filho de Deus, livrando- o das penas do Inferno e restituindo- lhe os méritos perdidos.


Dir-se-á, então, que a contrição perfeita beneficia apenas a quem cometeu pecado mortal. Não é verdade, pois ela robustece o estado de graça naqueles que não o perderam. Cada ato de contrição perfeita aumenta o grau da graça santificante em nossa alma, tornando-a mais formosa aos olhos de Deus!


Eis aí, leitor, um imenso dom que Deus deixou ao nosso alcance. Saibamos bem aproveitar esta dádiva celeste, procurando fazer diariamente muitos atos de contrição perfeita. Pois, além dos benefícios enumerados acima, quem se habitua a fazê-los com freqüência os repetirá, por assim dizer, instintivamente na hora da morte.


Portanto, uma prática benéfica também nos casos de pecados veniais, ou até mesmo quanto às imperfeições. Saibamos aproveitar a imensa bondade do Criador que nos dá essa misericordiosa oportunidade de nos apresentarmos diante d'Ele limpos do pecado!





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Fontes e ref.:
Driesch , Johann von den. A Contrição Perfeita – uma chave de ouro para o Céu, Tip. São Francisco, Bahia, 1913.

Gaudium Prss, 'Uma graça sempre ao nosso alcance', em:

Acesso 26/3/2020.
Revista Arautos do Evangelho, n.84, 12/2008.

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2. Cf. DENZINGER-HÜNERMANN, n. 1677.

As 15 promessas de Nossa Senhora para aqueles que rezarem o rosário


Public Domain, Wikipedia / ChurchPOP

Como se precisasse de mais motivos para rezar o rosário, você já ouviu falar das 15 promessas da Virgem Maria para aqueles que o rezarem regularmente?

Quando a Virgem Santíssima apareceu a São Domingos de Gusmão e deu-lhe a devoção do rosário, também lhe deu essas 15 promessas de benefícios espirituais para aqueles que o rezarem.

Pelo menos essa é a história contada desde o século XVII; não foi encontrada nehuma evidência desta história antes do século XV, quando foi popularizada pelo Beato Alano de La Roche.

Note-se que mesmo que as promessas tenham sido dadas por nossa Mãe Santíssima a São Domingos, elas ainda se enquadram na categoria de “revelação privada”, algo que não é uma parte da revelação divina pública, por isso os católicos não são obrigados a acreditar.

De qualquer maneira, essas promessas ainda podem ser tomadas como inspiração para rezar o Rosário.

1) A todos os que rezarem meu Rosário com devoção, prometo minha proteção especial e grandíssimas graças.

2) Aquele que perseverar na oração de meu Rosário receberá uma graça insigne. .

3) O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.

4)O Rosário fará florescerem as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia divina; fará que nos corações o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão com esse meio!

5) Quem se confia a mim por meio do Rosário não perecerá.

6) Quem rezar meu Rosário com devoção, meditando seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. Pecador, se converterá; justo, crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.

7) Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.

8) Aqueles que rezam meu Rosário encontrarão durante sua vida e em sua morte a luz de Deus e a plenitude de suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.

9) Libertarei muito prontamente do purgatório as almas devotadas a meu Rosário.

10) Os verdadeiros filhos de meu Rosário gozarão de uma grande glória no céu.

11) O que pedirem por meio de meu Rosário, obterão.

12) Aqueles que defenderem meu Rosário serão socorridos por mim em todas as suas necessidades.

13) Obtive de meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do céu.

14) Aqueles que rezarem fielmente meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.

15) A devoção a meu Rosário é um grande sinal de predestinação”.

Oração para obter o perdão do pecado da impureza e da pornografia, e para não voltar a cair neles

 


Por Henrique Sebastião

NESTES TEMPOS INSANOS, um pobre leigo pecador e indigno como eu torna-se diretor espiritual. Alguns me procuram pedindo conselhos e, na medida de minhas pequeninas forças, tento ajudar. Vivo uma vida só de lutas, de cair e levantar, portanto posso dizer, ao menos isto, que tenho experiência na batalha.


Uma dessas pessoas, que aconselho há anos, de tempos em tempos me procura. É um rapaz ainda relativamente jovem, mas tem grande maturidade, penso eu. Vive escravizado pela luxúria, caindo sempre no pecado da impureza e na pornografia. Como resultado das quedas constantes, vêm as dúvidas, a falta de confiança em Deus. Porque ele se confessa, prontifica-se e se compromete diante de Deus a não mais pecar, mas termina sempre vencido, cai novamente. Com o desânimo, a Fé se enfraquece; e essa fraqueza o convence de que nada pode contra o Inimigo de todos – nisso está certo: não podemos vencer o demônio, nem mesmo somos capazes de, por nossos próprios esforços, disciplinar a nossa natureza decaída, ordenando os movimentos de nossos corpos e mentes para o bem.

Para complicar ainda mais (e muito) a situação, por circunstâncias que não abordarei aqui, a pobre alma em questão se encontra sem acesso aos Sacramentos. Neste último contato, estava o rapaz nada menos que desesperado.

Ora o moço já tentou de tudo, fez até cursos (!) para tentar aprender a vencer as tentações, mas nada funciona, nada resolve, nada lhe traz resultados efetivos. De modo algum ele consegue se manter firme na Fé e viver uma vida plena como um bom cristão. Então, que fazer? Não há solução?


Posso dizer e testemunhar que, em casos desse tipo, só há uma única coisa que se pode fazer. Uma única coisa é eficaz e suficiente, e é isso o que aconselho agora, também a quem lê o que eu escrevo: torna-te criança, confessa teus pecados a Deus e confia inteiramente n'Ele. Recobra a confiança, levanta-te, limpa-te e lava teu rosto. Enfrenta o mundo com os seus males, não por tua força, mas pelo Poder d'Aquele que é tudo em todos. Nesta resolução e neste gesto, nossa Mãe do Céu pode ajudar, e muito. Nossos irmãos do Céu também podem ajudar, e muito. Confia em Deus. Desiste das tuas forças, deixa de ser juiz de ti mesmo e deixa de ser juiz do próprio Deus. Ao contrário, confia inteiramente n'Ele, e Ele tudo fará. Confia em Deus porque o seu poder, a sua graça e a sua misericórdia não têm fim. Assim tua oração será infalível e Ele te restaurará, se realmente o quiseres.

Eu recomendei a esse pobre homem, compartilhando com ele das minhas próprias misérias –, as quais por misericórdia do Deus que torna todo mal em bem fizeram-me entender essas coisas –, que lesse devotamente o Salmo 36, meditando que, para nós, os ímpios ali citados são os próprios demônios, que nos tentam hoje com poder redobrado. E que depois da leitura do Salmo fizesse uma contrição perfeita diante de Deus. Isso não é impossível nem é assim tão difícil como dizem, quando se quer verdadeiramente, e é plenamente possível obter o perdão divino por meio da contrição perfeita (saiba como fazer), desde que se procure a Absolvição sacramental assim que for possível.

Antes de fazer a contrição, recomendei que fizesse, de todo coração, uma oração muito especial: uma que fiz para ele baseada na que fiz para mim mesmo, em um momento de grande elevação da minha alma, numa ocasião em que Deus dignou-se descer de sua Glória para me acudir em meus apuros, assim como tem feito muitas vezes em minha vida miserável e atribulada. Deus o fez por meio da direção espiritual de um sacerdote santo, que em certa ocasião me deu todas as respostas – claramente vindas do Céu e não dele mesmo – de que eu tanto precisava.

Assim, resolvi compartilhar esta oração aqui, com todos os que porventura puderem se beneficiar dela. Que seja útil. Segue.





Ato de contriçãopara ser recitado, se possível, diante do Sacrário, ou em um lugar solitário e calmo


Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo,

É para mim muito difícil manter a Fé, hoje; nosso inimigo é forte, sou frágil diante dele; por mim mesmo não tenho como resistir às suas armadilhas, ao seu poder, às suas investidas incessantes e cada vez mais frequentes.



De tanto cair e, sempre que me levanto, voltar a cair novamente, tenho a impressão de que cada tropeço é pior que o anterior, que cada queda me fere mais, humilha-me mais, torna-me mais e mais incapaz e desmerecedor; que minhas infidelidades me fazem cada vez mais indigno. As esperanças se esvaem de mim como a água pelos dedos de uma criança que a tenta conter em suas mãos.



Sim, sou cada vez mais indigno da tua Presença, oh Cristo, meu Deus. A cada nova infidelidade, sinto-me mais distante de Ti, da tua misericórdia, mesmo que seja infinita, porque sei que és também severo, que és também justo e que cobrarás a cada um segundo seus frutos.



Como poderia me aproximar novamente de Ti, mais uma vez, após cair pela milésima vez? Se cada uma dessas infinitas quedas aconteceu por minha frouxeza e negligência, por minha preguiça e indolência? E se eu, pecador, não sei perdoar o meu próximo que erra, como poderei esperar o divino Perdão?



E mesmo assim, vens em meu socorro, Bom Pastor atrás da ovelha perdida. Bom e pleno de Luz e Beleza, resgatar o cordeiro imundo, malcheiroso, disforme. Vem o Rei dos reis acudir o verme, o inútil, o asqueroso. Vem o Rei da Perfeição salvar o grotesco, vem o esplendoroso Rei dos Fulgores em socorro do que chafurda nas trevas da impureza.



[pausa]



Como corresponder a esse Amor? [Ai de mim...] Como me apresentar diante de Ti, como admitir-me diante de vosso esplendor, eu que a tudo contamino com minha indignidade e imundície?




Tornei-me um joguete do demônio, sou como um brinquedo, um fantoche que não tem vida própria, uma folha seca arrebatada pelos violentíssimos ventos da tempestade que faz extinguir minha vida. Para nada me servi de todos os muitos dons que recebi. Sou pó e menos que pó, tornei-me nada e menos que nada. O Diabo me odiou e prevaleceu, fez de toda a bela pureza, que eu um dia tive, um monturo de excremento; e do bem eu mesmo fiz o mal, a virtude tornei em vício, a inocência afoguei em um bruto tacho de odiosas iniquidades.




E Deus, Deus Todo-Poderoso, quisera fazer por meio de mim coisas grandes, presenteando-me com inúmeros talentos. Encarnou-se, fez-se criança e fez-se Alimento por amor de mim. E eu, assim como os perversos carrascos, flagelei-o, escarneci d’Ele e o maltratei até as últimas consequências, sem nenhuma compaixão. Como Judas, eu o traí. Pior que o Iscariotes, que o fez uma vez, eu repeti a traição uma e outra vez, e de novo e de novo.




Será, oh, EU SOU, que ainda encontrarei perdão diante de Ti? Que ainda verei tua Misericórdia? Que serei beneficiado por teu Poder, mais uma vez? Eu, que só mereço a morte e o Inferno de tormentos?


Em teu Poder em teu Amor em tua Misericórdia, eu confio. Em Ti, confio plenamente. Sei que és a resposta a todos os meus clamores, a todos os meus anseios mais íntimos e mais profundos desde sempre. Que és a solução de todos os meus conflitos íntimos, que em Ti está a Justiça, a Verdade, o Caminho, o Amor que tudo realiza e faz viver. Em mim é que não confio. De minhas convicções de fidelidade, nada espero, de cada nova determinação minha de não tornar a pecar, já não faço o menor caso.


Ensinai-me, pois, a viver, SENHOR. Ensinai-me a ser fiel, conduzi-me por teus pastos, purificai-me como considerardes conveniente, fazei de mim um instrumento para a consumação da vossa Vontade e do Vosso Reino. Dai-me o que quiserdes, o que for de vosso agrado. Se quiserdes, podeis limpar-me. Se quiserdes, eu sei, por cima de todas as minhas falhas e vícios e culpas e maldades e infidelidades, podeis limpar-me.


Limpai-me, não para o meu bem, mas para a vossa maior Glória. Limpai-me, somente por amor do vosso Nome. Limpai-me, por vosso Sacrifício, Deus meu e Senhor meu. Limpai-me por vosso Amor, para que haja mais dos vossos e menos a integrar as fileiras do Inimigo, dos que o servem e trabalham pelo seu principado nefando.


Limpai-me para que, no fim, reste apenas um Cristo-EU SOU amando-se a Si mesmo. Para que eu possa clamar como as pedras que clamam quando os eleitos se calam. Sou pedra infecta, suja, calcada pelos pés dos homens e pelas patas dos animais. Mas ainda clamo. Limpai-me para que eu possa vos servir, como puder. Não por mim não por mim, mas por Vós, por Quem Sois, limpai-me. Limpai-me, porque quero apenas vos servir. E, se não for possível, restará a mim o consolo de saber que, no fim, triunfareis infalivelmente, Sumo Bem e Rei da Justiça; que meu sofrimento será a justa paga e justo tributo à vossa Justiça e Glória.



Já não peço piedade, somente que me permitais servir.



SENHOR JESUS, eu confio em Vós.


Santíssima Virgem, Maria; São Miguel e Santos do Céu, rogai a Deus por mim.



Amém

Ladainha da humildade

 

PARA TODOS NÓS, EM ESPECIAL SE ACHARMOS QUE NÃO PRECISAMOS

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-nos
Jesus, manso e humilde de coração, atendei-nos
Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser buscado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus!
Que os outros sejam amados mais do que eu: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam estimados mais do que eu: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo, e que eu possa diminuir: Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam louvados e eu esquecido:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu  pelo menos me torne santo como puder:  Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós!
São José, protetor das almas humildes, rogai por nós!
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós!
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós!
Ó Deus que, através dos ensinamentos e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça e como fundamento de todas as outras virtudes – caminho certo para o céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e a mais Santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.
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Cardeal Rafael Merry del Val

“Eu vi aquela famosa luz”: depois de experiência de quase morte, ele decidiu virar padre

Créditos: Wikipedia / NCR.

Ele era um jovem de 25 anos, um católico “não muito praticante” até que uma experiência de quase morte não apenas o devolveu à fé, mas o fez tornar-se sacerdote.

Hoje, vinte e um anos depois, o padre Vincent Lafarge mora em Villeneuve, na Suíça, e se prepara para se tornar capelão de um hospital próximo em Rennaz.

“Eu vi aquela famosa luz”: depois de experiência de quase morte, ele decidiu virar padre

O padre lembra que antes de sofrer um terrível acidente de moto, “tinha três empregos ao mesmo tempo: era ator à noite, locutor de rádio pela manhã e professor de francês durante o dia. Como muitas pessoas daquela idade, eu pensei que era imortal.”

Naquela época ele era um católico “não muito praticante, mas costumava ler na missa para minha comunidade católica. Estava mais acostumado a falar com Deus para chamá-lo a prestar contas pela desgraça e do mal do mundo, ao invés de rezar“, reconhece.

Porém, um dia, enquanto dirigia, ele começou a meditar sobre essa aceleração com a qual vivia. “Eu estava pensando sobre isso naquela noite na minha moto e comecei a falar com Deus em meu coração. Eu disse: ‘Eu sei que estou indo rápido demais e que esse tique diz algo sobre minha vida. Estou fazendo muito e gostaria de poder frear, mas não sei como fazer, principalmente porque amo tudo o que faço’. Acrescentei: ‘Se és tão inteligente, se realmente existes, por que não tentas me impedir?’

E algo surpreendente aconteceu. “Eu estava em um sinal vermelho; e naquele momento, muito claramente, uma voz por cima da música que eu estava ouvindo alto em meus fones de ouvido começou a falar comigo. Essa voz, muito suave e gentil – e que não tinha nada a ver com a voz da minha consciência – me perguntou duas vezes: ‘Você está realmente ciente do que está me perguntando?’ E duas vezes, em voz alta, sem saber o que estava fazendo, respondi: ‘Sim'”.

O semáforo ficou verde e o jovem avançou cerca de 100 metros antes de bater de frente com um carro a 80 km/h. O veículo estava numa velocidade semelhante, então o impacto foi devastador.

E então a Providência de Deus se manifestou. “A motorista tinha um celular no carro (o que não era comum em 2000), e imediatamente chamou a polícia ao invés da ambulância, porque estava convencida de que eu estava morto quando me encontrou em uma poça de sangue”, diz o padre.

E explica: “Foi isso que salvou minha vida, porque depois nos disseram que a ambulância estava presa no trânsito, longe do local do acidente, enquanto um carro médico da polícia estava perto e chegou em dois minutos”.

Após o acidente, apesar de sobreviver ao impacto, ele sofreu danos gravíssimos. “Tive muitas fraturas, principalmente na pelve, que desencadearam hemorragias internas que não foram detectadas imediatamente. [Um médico] reconheceu uma mancha que indicava que eu estava sangrando e entendeu que eu estava morrendo. Meu coração ficou do lado de fora da porta da sala de cirurgia.

A experiência de quase morte

Assim ele relata o que aconteceu:

“O que aconteceu naquele momento é muito mais vívido do que qualquer outra coisa em minha mente. De repente, vi uma cena que pude observar de cima. Eu vi uma pessoa ferida em uma cama, pessoas se movendo ao seu redor, e então ouvi um bipe que indicava que um coração estava parando. Eu estava preocupado com essa pessoa sem entender que era eu. Ele estava em um estado de total bem-estar.

Na verdade, durou apenas um minuto, mas na minha percepção, foi muito mais tempo. Então, de repente, me virei, como se alguém estivesse me puxando por trás. Mas, em vez de olhar para o teto, vi aquela famosa luz imensa, da qual nunca tinha ouvido falar. É muito mais potente que a luz solar, sem deslumbrar. Ela me atraiu. Flutuei até esta luz por alguns momentos, mas ao contrário de outros, [que, por exemplo, afirmam ter visto entes queridos falecidos ou mesmo Jesus], eu não fui mais longe. Porém, para mim, aquela luz estava habitada, não por uma pessoa visível, mas por uma presença evidente, que era o Amor, o Amor incondicional. E, para mim, como aprendi depois, o amor é uma Pessoa: Deus. Foi isto que eu senti profundamente.

De repente, fui lançado de volta ao meu corpo. Foi o pior momento da minha vida, sensorialmente falando, embora tenha sido então que meu coração começou de novo. Todas as minhas dores acordaram”.

O caminho da conversão

Após o acidente e à medida que ia se recuperando, foi visitado por um capelão. Na primeira vez ele ignorou, mas o padre continuou a visitá-lo e um dia “ele me explicou longamente que Deus nunca faz o mal, que Ele não queria o mal que havia me atingido, mas que o estava usando para tocar meu coração.

Essa foi a primeira semente. Mas a conversão após a experiência de quase morte não foi imediata. “Passaram-se os primeiros dois anos, durante os quais explorei todas as religiões do mundo”. Até que, em certa ocasião, ouviu uma pessoa no rádio falar sobre poesia, arte, cinema; tudo que ele amava. E descobriu que o locutor era um padre. Isso terminou de convencê-lo, falou com ele ao telefone e decidiu entrar no seminário.

Padre Vincent Lafarge foi ordenado sacerdote em 2010 e hoje se prepara para substituir como capelão o mesmo pároco que o visitou após o acidente.